A propósito do segundo centenário do nascimento de Darwin: A evolução de uma teoria evolutiva

Nº 1708 - Verão 2009
Publicado em Cultura por: Joao Lavinha (autor)

Seen in the light of evolution, biology is, perhaps, intellectually the most satisfying and inspiring science. Without that light it becomes a pile of sundry facts some of them interesting or curious but making no meaningful picture as a whole.1

T Dobzhansky, 1973

Prólogo

Há 150 anos, em Londres, foi publicada a “Origem das espécies”2 de Charles Darwin (1809-1882), então com cinquenta anos. Oito anos mais tarde (1867) foi publicado “O capital” de Karl Marx e trinta e três anos depois (1900) Sigmund Freud publicou “A interpretação dos sonhos”. Em quatro décadas, os fundamentos do pensamento europeu sobre a história e a diversidade dos seres vivos na Terra e sobre a sociedade e a mente humanas sofrem profundos abalos, comparáveis ao que havia provocado, trezentos e cinquenta anos antes (1543), a teoria heliocêntrica exposta em “De Revolutionibus Orbium Cœlestium” (“Sobre as revoluções das esferas celestes”) de Nikolaj Kopernic.

Em todas estas rupturas (a que alguém já chamou ‘feridas narcísicas’ do Homem) se trata de uma questão de posição: da Terra no sistema solar e no universo, das diferentes espécies de seres vivos (e da nossa em particular) na Natureza, do inconsciente na nossa vida psíquica e do capitalismo no conjunto da economia e da sociedade. Questões que têm, ainda, em comum o facto de terem surgido em épocas de relativa ‘fluidez social’ (na expressão de J. D. Bernal), correspondentes ao Renascimento e ao Romantismo, propícias à fusão entre teoria e prática e a uma mais estreita e fecunda interacção entre cientistas e tecnólogos originando grandes avanços no conhecimento e suas aplicações.

Neste artigo, procurar-se-á (i) apresentar as linhas mestras do darwinismo, enquanto tradição de investigação e prática científica, na sua versão original mas também após a síntese neo-darwinista proposta por Theodosius Dobzhansky em 1937, (ii) revisitar algumas das querelas ainda quentes suscitadas pelas ideias de Darwin (criacionismo, darwinismo social, neutralismo) e (iii) ilustrar a interacção entre biologia e ambiente na determinação das doenças humanas (medicina evolutiva).

O darwinismo e a síntese neo-darwinista

O termo darwinismo identifica um conjunto nuclear de conceitos, princípios e métodos que foram expressos e defendidos, pela primeira vez, por Charles Darwin e que ainda hoje marcam uma certa abordagem às questões da evolução (ou transmutação)das espécies. A combinação de um meticuloso trabalho de campo de observação, colheita e experimentação com anotação, leitura e reflexão durante a viagem no navio Beagle (1831-36) através de uma vasta e representativa gama de ambientes da Terra, definiram o curso do resto da sua vida. As observações e leituras que realizou persuadiram-no de que o registo fóssil e a actual distribuição geográfica das espécies em estado selvagem, complementados com os resultados das suas experiências de selecção artifical (‘melhoramento’) de espécies domesticadas, apenas podiam ser explicados por uma lenta e gradual transformação das espécies umas nas outras.

Para fundamentar este conceito de partida, Darwin precisava de uma teoria causal explicativa (e preditiva) dessas transformações, identificando causas naturais actualmente em acção e que pudessem ser investigadas experimentalmente:

As espécies são conjuntos de indivíduos que têm muitas características em comum mas que se distinguem por ligeiras diferenças ou variantes.

Os efectivos populacionais das espécies têm tendência para aumentar de maneira exponencial.

Esta tendência, na presença de recursos limitados, de doenças, de predadores, etc., cria uma situação de luta pela sobrevivência entre os membros da espécie.

Alguns indivíduos apresentam diferenças que lhes proporcionam uma ligeira vantagem nesta luta, permitindo-lhes um melhor e mais eficiente acesso aos recursos, maior resistência à doença, mais sucesso em evitar os predadores, etc.

Estes indivíduos tendem a sobreviver melhor e a deixar mais descendência.

A descendência tende a herdar as diferenças dos seus progenitores.

Assim as variantes favoráveis tendem a ser passadas à geração seguinte mais frequentemente que outras, uma tendência a que Darwin chamou selecção natural.3

Ao longo do tempo, em especial num ambiente que varie lentamente, este processo produzirá uma mudança nas características da espécie.

Ao fim de um período suficientemente longo, as populações descendentes de uma espécie ancestral diferirão entre si o bastante para serem consideradas espécies diferentes (especiação).

O processo de especiação é susceptível de ser repetido indefinidamente.

Existem forças que encorajam a divergência entre as populações descendentes de uma mesma espécie e a eliminação das variedades intermédias.

De notar que o darwinismo é uma teoria de natureza estatística: permite-nos fazer predições rigorosas acerca das tendências, ao nível das populações, mas não daquilo que acontecerá a cada indivíduo.

Estabilidade para Darwin é um conceito relativo, não havendo limites prefixados quanto à variabilidade no seio de uma espécie. No entanto, sabemos que, com o passar do tempo, as diferenças interindividuais encontradas em qualquer população podem dar origem a variedades estáveis, estas a sub-espécies e estas, por sua vez, a espécies distintas. Apesar de os taxonomistas dizerem de si próprios que uns são ‘agregadores’ (essencialistas) e outros são ‘separadores’ (nominalistas), a Natureza não é nenhuma destas coisas: os organismos que queremos classificar representam apenas o estadio mais recente de um processo lento e gradual de evolução. Darwin sublinha repetidamente que concebe a selecção natural como um processo aditivo de variações infinitamente pequenas e imagina o processo de especiação como levando um tempo muito longo.

Embora ainda haja, actualmente, biólogos evolutivos que aderem ao darwinismo de Darwin, essa formulação inicial da teoria suscitou algumas questões: (i) o papel do acaso como um factor da evolução e a natureza probabilística da teoria, (ii) a natureza da selecção, (iii) o carácter aparentemente teleológico das explicações por selecção/adaptação, (iv) o estatuto ontológico das espécies e o estatuto epistemológico do conceito de espécie e (v) as implicações da natureza lenta e gradual da evolução.

Para Darwin, a causa primeira da evolução reside na diferente capacidade dos organismos, em vários estadios de desenvolvimento, para enfrentar os desafios do ambiente. A partir da síntese neo-darwinista, esse papel central passou a ser atribuído à variação da estrutura genética das populações em resposta às mudanças das condições ecológicas. Mutações aleatórias (e recombinações) produzem diferenças genéticas entre os organismos e a selecção natural tende a aumentar a frequência das variantes genéticas mais vantajosas num dado contexto ambiental. A síntese neo-darwinista dos anos 1930 é, precisamente, uma tentativa para reconciliar a genética mendeliana, que diz que os organismos não mudam com o tempo, com o darwinismo que prevê e explica a mudança evolutiva. Ulteriores desenvolvimentos (1960) conduziram, mesmo, a uma visão da evolução centrada nos genes.

O criacionismo hoje

O darwinismo ocupa um lugar central na intersecção da ciência, da filosofia e da religião.4 Daí resulta que a evolução se encontre associada a controvérsias tão diversas como as de teísmo versus materialismo ou natureza versus cultura. O criacionismo, isto é, a ideia de que um agente inteligente terá desempenhado um papel na concepção da vida, inclui a narrativa bíblica das origens da vida e dispensa a evolução.

Várias versões do movimento anti-evolucionista (exigência de ‘tempo igual’ para o ensino do criacionismo, ‘ciência da criação’, ‘design inteligente’) desenvolveram-se ao longo do último século, mas pouco contribuiram para um discurso sério acerca de ciência e religião. O seu principal objectivo tem sido o de tentar impedir o ensino da evolução. A versão mais recente de criacionismo, o ‘design inteligente’ (DI), tem pouco em comum com a versão apresentada por William Paley no seu livro Teologia natural ou demonstração da existência e atributos da divindade (1802): o DI postula a existência de uma divindade intervencionista que regularmente interfere nos processos naturais para produzir estruturas e funções biológicas (irredutivelmente) complexas.5 O veredicto do julgamento do DI (Dover, Pennsylvania, 2005) destruiu as pretensões deste movimento de se tornar numa alternativa à teoria evolucionista, sendo, a partir daí, considerado como uma forma de religião. De facto, a falsidade do DI não é susceptível de ser demonstrada (ao contrário das genuínas teorias científicas); por outro lado, o DI não prevê as numerosas adaptações imperfeitas que encontramos na Natureza. Esta derrota judicial, no entanto, não impediu que as ideias criacionistas se tenham propagado para fora dos EUA, Canadá e Austrália, por exemplo, no Reino Unido, na Alemanha, na Polónia e na América Latina (Brasil, ...). Entretanto, a Turquia aparece como o principal foco de propaganda criacionista fora dos EUA, neste caso inspirada no fundamentalismo islâmico.

Darwinismo social

Para T. R. Malthus (1766-1834), a vida é uma luta na qual os melhores sobrevivem, por exemplo, à doença ou à guerra. A riqueza e a posição social são o reflexo do resultado dessa luta (Essay on the principle of population, 1798). Será Malthus um darwinista social avant-la-lettre? Em todo o caso, sabe-se que as suas ideias sobre as sociedades humanas inspiraram as ideias de Darwin sobre os seres vivos na Natureza. A ‘sobrevivência dos mais aptos’ – segundo Herbert Spencer (1820-1903) uma expressão preferível a ‘selecção natural’ pelo que esta implica de capacidade de discernimento selectivo por parte da Natureza… – foi um tema comum às filosofias da biologia e da sociedade. O darwinismo social consiste na aplicação dos princípios darwinistas de luta à sociedade, geralmente em apoio das agendas políticas anti-filantrópicas (que reclamavam o fim daquilo a que hoje chamamos solidariedade social), defendendo que a competição entre indivíduos, grupos, nações ou ideias é o motor da evolução social.6

Uma outra concepção de darwinismo social, introduzida por Francis Galton (1822-1911), sustenta que, nas sociedades ‘civilizadas’, a selecção natural não se exerce, o que tem como possível consequência que as estirpes ‘inferiores’ (que seriam normalmente eliminadas na Natureza) possam vir a dominar as estirpes ‘superiores’; donde ter sido proposta a adopção de medidas correctivas que viriam a constituir a base das políticas eugénicas do século XX. É disso exemplo a esterilização de certos doentes mentais levada a cabo, nos anos 1920 – 30, nos EUA, Bélgica, Brasil, Canadá, Suécia, etc. O próprio Darwin havia rejeitado este ‘melhoramento hereditário’ por ineficaz e inaceitável por uma sociedade de homens livres. Em vez disso dever-se-ia alfabetizar o povo nos princípios da hereditariedade e ter esperança (mais do que esperar…) que as pessoas fizessem escolhas reprodutivas racionais.

Críticas a este pensamento surgiram de múltiplos quadrantes. Talvez uma das mais precoces (1878) se deva a Friedrich Nietzsche: “Onde quer que o progresso ocorra, as naturezas desviantes são da máxima importância. Todo o progresso do conjunto passa por um enfraquecimento em alguma(s) das suas partes. As naturezas mais fortes preservam o típico, as mais fracas ajudam-no a evoluir. Algo de semelhante acontece no indivíduo. Raramente há uma degeneração, uma truncagem ou mesmo um vício ou qualquer perda física ou moral sem que algures haja uma vantagem. Num clã guerreiro e inquieto, por exemplo, o mais enfermiço dos homens pode ter ocasião de ficar sozinho e, assim, tornar-se mais tranquilo e sábio; o homem só com um olho pode ter esse olho mais forte; o cego ver-se-á por dentro mais até ao fundo e, certamente, ouvirá melhor. Nesta medida, a famosa teoria da sobrevivência dos mais aptos não me parece ser o único ponto de vista capaz de explicar o progresso e o fortalecimento de um homem ou de uma raça.”7

Diversas vozes críticas têm, frequentemente, associado evolução, darwinismo e darwinismo social a racismo, imperialismo e eugenia, para demonstrar que o darwinismo social se tornou num dos pilares teóricos da ideologia nazi-fascista e das suas políticas de sobrevivência dos mais aptos. Por exemplo, a filósofa e historiadora Hannah Arendt (1906-1975) analisou a sequência histórica que vai do darwinismo científico politicamente neutro, para uma ética social-darwinista e para uma ideologia racista. Este raciocínio foi apropriado e radicalizado pelos opositores da teoria evolutiva (por exemplo, pelo movimento criacionista do design inteligente). Por outro lado, a economia capitalista, em particular a mais liberal, é atacada por alguns pensadores socialistas por aplicar o darwinismo social – com o qual partilha a ideia da competição para recursos escassos e uma atitude do tipo ‘afoga-te ou nada’ – na actividade económica.

Medicina evolutiva

A medicina evolutiva trata da interacção da biologia e do ambiente na compreensão da patologia humana. Há essencialmente três tipos de explicações evolutivas para as doenças:

Vantagem dos heterozigotos8: certas variantes representam uma adaptação nos heterozigotos mas são claramente deletérias nos homozigotos.

Adaptação ao ambiente ancestral: algumas adaptações, seleccionadas positivamente por situações ambientais do passado, são agora desadaptadas e podem conduzir a estados de doença.

Pleiotropia9 antagonística: ocorre quando uma das características determinadas por um mesmo gene é vantajosa (por exemplo, o sucesso reprodutivo) e a outra é deletéria (por exemplo, o envelhecimento precoce).

Na tabela abaixo sumariam-se algumas doenças e respectivas explicações evolutivas.

Nesta perspectiva, a elevada prevalência de heterozigotos para a drepanocitose, nas regiões tropicais da África e Ásia, dever-se-ia à sua relativa resistência em relação às formas mais graves de malária, doença endémica nessas regiões. Já no caso da obesidade e diabetes tipo II, o aumento da sua prevalência explicar-se-ia por uma longa história de escassez alimentar que teria seleccionado os indivíduos mais bem adaptados a viver com um baixo aporte calório. Esta adaptação viria a revelar-se desvantajosa na situação de relativa abundância em que hoje vivemos nos países industrializados. Podemos, assim, ver-nos como descendendo dos sobreviventes das grandes fomes do passado. O que não nos equipa particularmente bem para a sociedade da afluência.

A medicina evolutiva poderá também ter aplicações em psiquiatria. Por exemplo, admite-se que a ansiedade deriva de um desajustamento entre as condições da cultura moderna e as respostas emocionais geradas e desenvolvidas em condições culturais muito antigas (paleolítico?). O grande paradoxo evolutivo da esquizofrenia reside no facto de ela persistir em todas as sociedades humanas (com uma incidência semelhante) apesar da marcada desvantagem reprodutiva que lhe está associada. Alguns investigadores na área da psicopatologia evolutiva propuseram que a esquizofrenia seja considerada um sub-produto evolutivamente desvantajoso da evolução do cérebro humano (por exemplo, a evolução da especialização dos hemisférios ou das competências linguísticas). Outros sugeriram que possa existir uma vantagem compensatória quer na biologia dos pacientes com esquizofrenia (por exemplo, resistência contra infecções), quer no domínio social (por exemplo, maior criatividade nos parentes do doente).

Em resumo, a interacção entre a genética, a ecologia e a cultura (e a saúde humana depende destes três vectores) constitui um modelo para uma abordagem antropológica à compreensão da variação e evolução humanas.

Evolução adaptativa versus evolução neutralista

A promessa central do darwinismo é explicar, com base nos mesmos princípios, a continuidade filogenética e a diferenciação adaptativa, ou seja, integrar numa única teoria a suposta oposição entre a unidade de tipo (a espécie) e as condições (individuais) deexistência. Mas será que os princípios da selecção natural são suficientes para explicar a evolução da complexidade? Ou teremos de pressupor outros mecanismos evolutivos, como a deriva genética ou o fluxo génico, em que o acaso desempenha um importante papel? Passar-se-ia, no conceito de Motoo Kimura (1989), da ‘sobrevivência dos mais aptos’ para ‘a sobrevivência dos com mais sorte’. Na visão dos neutralistas, muitas das alterações que ocorrem durante a evolução são selectivamente neutras, isto é, nem vantajosas nem deletérias. A teoria da evolução ver-se-ia, finalmente, livre das ‘explicações selectivas’ de tipo teleológico, isto é, das que nos apresentam a selecção como actuando apenas para o bem de cada espécie, indivíduo ou gene.

Neste contexto, acompanhemos António Amorim (2002), no teste quanto à natureza explicativa da ideia de selecção natural, verificando se lhe correspondem as seguintes propriedades distintivas: “(i) o mesmo resultado não pode ser ‘explicado’, no seio do mesmo contexto teórico, por enunciados contraditórios; (ii) os resultados contraditórios não podem ser ‘explicados’ pelo mesmo enunciado teórico; (iii) as explicações não podem ser meramente justificativas, mas têm de ser dotadas de capacidade preditiva; e (iv) os enunciados têm de ser experimentalmente confrontáveis de forma não ambígua.” Para este autor, todas estas características estão ausentes da explicação (neo)darwinista do processo evolutivo, por ele considerada um anacronismo teórico. A própria questão da evolução, como um facto a necessitar de uma explicação global, em breve se tornará, em sua opinião, tão obsoleta como a procura animista de uma essência da vida.

Em 2109, no terceiro centenário do nascimento de Darwin, que novas/velhas querelas animarão ainda o espírito curioso e inquieto do Homem?

 

Agradecimentos

Agradeço a Gabriela Vitorino, Luísa Oliveira e Paula Pacheco por uma atenta leitura crítica do manuscrito.

 

Bibliografia

Amorim A (2002) A espécie das origens.

Bernal JD (1954) Science in history.

Dobzhansky T (1937) Genetics and the origin of species.

Kimura M (1989) The neutral theory of molecular evolution and the world view of the neutralists. Genome. 31:24-31.

Lennox J (2004) Darwinism, Stanford Encyclopedia of Phylosophy(http://plato.stanford.edu/entries/darwinism/).

Naugler CT (2008) Evolutionary medicine: update on the relevance to family practice. Can Fam Physician. 54:1265-9.

Padian K (2009) The evolution of creationists in the United States: where are they now, and where are they going? C R Biol. 332:100-9.

Pallen MJ, Gophna U (2007) Bacterial flagella and Type III secretion: case studies in the evolution of complexity. Genome Dyn. 3:30-47.

 

1 “Vista à luz da evolução, a biologia é, talvez, a ciência intelectualmente mais gratificante e inspiradora. Sem essa luz torna-se num monte de factos diversos, alguns deles interessantes ou curiosos, que não constituem uma visão de conjunto significativa.”

2 Título original completo: “On the Origin of Species by Means of Natural Selection or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life.” (1859)

3 Princípio da selecção natural: “Se a está mais bem adaptado que b ao ambiente E onde ambos vivem, então (provavelmente) a terá um maior sucesso reprodutivo que b em E”.

4 Com aguda consciência desta situação, o historiador Pietro Corsi, na sua recente conferência em Lisboa (F. C. Gulbenkian, Março de 2009), passou em revista as ideias dos teólogos, filósofos e naturalistas contemporâneos de Darwin, revelando tensões, filiações e afinidades entre eles.

5 Exemplo de estruturas ‘irredutivelemente complexas’ seriam os flagelos (órgãos locomotores) das bactérias. No entanto, uma análise mais detalhada revela que essas notáveis peças de maquinaria molecular são, afinal, o produto de processos inteiramente compatíveis com a evolução darwinista: auto-organização de subunidades repetitivas, duplicação génica, recrutamento de elementos de outros sistemas e recombinação (Pallen e Gophna, 2007).

6 Seria interessante revisitar, neste contexto, os conceitos marxistas de luta de classes e progresso social.

7 In Humano, demasiado humano – Um livro para espíritos livres.

8 Heterozigotos: indivíduos que, num dado ponto (locus) do seu genoma, herdaram uma variante (alelo) diferente de um mesmo gene de cada um dos progenitores. Homozigotos: indivíduos que herdaram a mesma variante de ambos os progenitores.

9 Pleiotropia: situação em que um gene afecta duas ou mais características do organismo.

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