Factos & Documentos

Nº 1708 - Verão 2009
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

Propaganda anti-sindical

“A propaganda anti-sindical surge toscamente disfarçada num spot promocional da Antena 1, transmitido pela RTP. Face a isto, é muito difícil ao Governo socialista dizer que não interfere na informação prestada pelo Estado. (...) Este último incidente denuncia que a deriva totalitária do regime atingiu em quatro anos um descaramento intolerável para a democracia parlamentar, mesmo desnaturada por uma maioria, que a nossa cultura/incultura política provavelmente não comporta”.

Mário Crespo

Jornal de Notícias, 23 de Março de 2009

 

Incompreensível

Eles [PS e PSD] têm exactamente a mesma visão do País e as mesmas soluções. A razão pela qual uns são poder e os outros oposição é realmente incompreensível”.

Ricardo Araújo Pereira, 14 de Maio de 2009

 

Opinião pública

“O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano”.

António Barreto

Público, de 24 de Maio de 2009

 

Siga-se o exemplo

“Barack Obama acaba de promulgar uma lei (...) que proíbe o aumento arbitrário de taxas de juro, a criação de comissões ocultas ou súbitas correcções cambiais nos contratos bancários aplicados aos cartões de crédito. 'Estamos a pôr em marcha algumas reformas comuns para proteger os consumidores”.

Diário de Notícias, 24 de Maio de 2009

 

Pagas em espécie

Crise obriga 326 mil a ter segundo emprego. Milhão e meio de trabalhadores não recebem mais do que 600 euros por mês. Há 56 mil pessoas pagas em espécie”.

Jornal de Notícias, 25 de Maio de 2009

 

Saúde e dinheiro

“Os sindicatos consideram que os critérios [para reforma por invalidez] estão mais apertados e, em Janeiro deste ano, o bastonário da Ordem dos Médicos defendeu uma revisão dos critérios de avaliação para atribuição destas refomas, considerando que muitas vezes o factor económico se sobrepõe ao factor clínico”.

Jornal de Notícias, 26 de Maio de 2009

 

Família para sustentar

“Trata-se de um claro sinal de algo que apenas os euro-entusiastas parece não perceberem: que décadas e décadas decorrerão até que exista na Europa um sentimento de unidade interpaíses (...) Até lá, embora os políticos se afadiguem a falar nos interesses comunitários, os cidadãos responderão que antes do mais há que defender os interesses nacionais – os seus, deles, cidadãos, que têm a família a sustentar”.

Sérgio de Andrade

Jornal de Notícias, 26 de Maio de 2009

 

Bode expiatório

“Em sociedades mediatizadas como a nossa é fundamental que os tribunais façam chegar aos cidadãos a fundamentação das suas decisões. Porque não terão então os tribunais gabinetes de imprensa? Pergunte-se ao poder político. E espere-se sentado pela resposta. Enquanto tiver um bode expiatório, o poder político manter-se-á em silêncio, porque tudo o que disser poderá ser usado contra si”.

Manuel António Pina

Jornal de Notícias, 26 de Maio de 2009

 

“Case Study”

“Dias Loureiro é um ‘case study’ deste regime onde tão bem medrou. Um obscuro advogado que chegou a ministro e a capataz do PSD onde, durante 10 anos, tratou do financiamento partidário. Cavaco Silva revelou-se desastrado na escolha das amizades e excessivamente inábil na gestão política de uma crise que atinge o coração do período que recebeu o seu nome”.

Carlos Abreu Amorim

Correio da Manhã, 28 de Maio de 2009

 

Registo “confuso”

“Apesar de se congratular 'com a boa vontade da nova Casa Branca ', a Amnistia [Internacional] considera que a Administração tem tido um registo 'confuso' nas políticas de combate ao terrorismo. 'As promessas iniciais e as primeiras decisões importantes para pôr fim a abusos foram seguidas de poucos actos para assegurar que as políticas de detenção estão em conformidade com as obrigações internacionais”.

Público, 28 de Maio de 2009

 

Desempregados “apagados”

“O passado mês de Abril revelou o maior número de desempregados de sempre em Portugal: 491.635 pessoas estão sem trabalho. Como se não bastasse, em Março, o Instituto do Emprego e Formação Profissional 'apagou' 15 mil desempregados do sistema, obrigando o ministro a explicar a estranha situação no Parlamento. Mas não convenceu ninguém”.

Diário de Notícias, 28 de Maio de 2009

 

Ranço salazarista

Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta”.

Baptista-Bastos, 31 de Maio de 2009

 

Máquina propagandística

“Para manter oleado e a funcionar este constante jogo de aparências, o primeiro-ministro José Sócrates montou, desde o início do seu Governo, uma máquina de propaganda custando insondáveis milhões de euros para alimentar a miríade de empresas de comunicação, de gabinetes de estudo, de assessorias, de consultores e consultadorias visando permanentemente o objectivo de construir a 'boa imagem' das políticas governamentais. Em tudo isto é que José Sócrates devia exercitar a inquirição das suas 'legitimidades”.

Henrique Custódio

Avante!, 4 de Junho de 2009

 

Sinal da crise

“Ao que o DN apurou, o número de salas de jogo ilegal tem aumentado, sobretudo em Lisboa, sendo os estudantes os principais clientes e o póquer, com apostas em dinheiro, a principal atracção. Mas, segundo fonte policial, as salas enchem-se de todo o tipo de gente, desde trabalhadores por conta de outrem a empresários”

Diário de Notícias, 5 de Junho de 2009

 

Imperialismo

... basta olhar para a realidade contemporânea (...) para constatarmos que o liberalismo é a defesa de toda e qualquer intervenção político-estatal que beneficie o capital internacional dominante e o combate a toda aquela que não se paute por esses objectivos”.

Carlos Pimenta

in Globalização, Produção, Capital Fictício e Redistribuição

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