Luís da Câmara Reys - Uma necessária homenagem

Nº 1720 - Verão 2012
Publicado em 90 anos Seara Nova por: O Conselho Redactorial (autor)

De há muito que se impunha prestar uma homenagem ao seareiro que foi o principal sustentáculo da revista e da editorial Seara Nova durante quarenta anos. Referimo-nos a Câmara Reys fundador da Seara Nova e seu enorme obreiro e impulsionador, depois da morte de Raul Proença e afastamento de António Sérgio.

Luís da Câmara Reys mereceria que se divulgasse a sua obra, reeditando as inúmeras publicações em livro ou em artigos de imprensa, aqui com destaque para a Seara Nova, pesquisando e estudando esta mesma obra e até dedicando-lhe uma grande homenagem pública.

O dossier "90 Anos Seara Nova" deste número da revista é quase na totalidade dedicado a Câmara Reys, constituindo, despretenciosamente , uma forma de evocar e homenagear o Seareiro de quem muito convictamente se pode dizer que sem Câmara Reys a Seara Nova não teria subsistido em alguns dos períodos de muitas dificuldades financeiras e políticas que teve de enfrentar durante o fascismo.

Um artigo notável de António Reis, historiador especializado em história contemporânea e que em diversas oportunidades se dedicou à investigação do nascimento e passado da SN, é a componente mais significativa desta Secção. É de recordar que o seareiro António Reis foi um dos esteios da Seara Nova, nos findos de 60 e primeira metade da década de 70 do século passado.

Uma pequena nota evocativa do actual Director da Seara Nova, Ulpiano Nascimento, um dos últimos artigos publicados em vida de Câmara Reys, Passado e Presente da Seara Nova, no número triplo da SN 1378/80 dedicado ao Cinquentenário da República e o suplemento que nesse mesmo número a Redacção inseriu, homenageando o companheiro acabado de falecer, constituem a homenagem que aqui se presta a Câmara Reys.

Luís da Câmara Reys foi um incansável orientador da Seara, com uma determinação enorme nos trabalhos de gestão da revista: dinamizando a procura de colaboradores qualificados para integrarem a redacção ou para prestarem uma colaboração graciosa com os seus escritos; promovendo a angariação de publicidade e lançando excelentes campanhas publicitárias em números especiais; dirimindo os naturais conflitos entre colaboradores; supervisionando os trabalhos administrativos e, certamente muito desgastante, a gestão financeira e a resolução dos múltiplos estrangulamentos financeiros com que a Seara Nova muitas vezes se defrontou (e de que bastas vezes terá sido salva com os meios financeiros pessoais ou familiares de Câmara Reys).

Mas se este trabalho incansável e duro teve resposta na enorme dedicação de Luís da Câmara Reys, não se pense que se quedou por aqui a sua participação na Seara Nova; é não menos importante a extensa colaboração nas páginas da revista, onde, naturalmente com maior vocação e apetência para textos literários, Câmara Reys escreveu sobre inúmeros temas e assegurou a continuidade de certas colunas.

Vamos encontrá-lo em notas biográficas sobre Teófilo Braga, Eugénio de Castro, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Almeida Garret, Raúl Brandão, Emílio Zola, Jaime Cortezão, Irene Lisboa, entre tantos outros ou em pequenos apontamentos sobre Anatole France, Jaurés, Sarmento de Beires, Oliveira Martins, João Chagas.

Em inúmeros textos sobre literatura, com destaque para frequente crítica literária e muitas notas de leitura. Em notas e crítica teatral. Em vários interessantes artigos sobre canção popular por esse mundo fora. Em textos sobre ensino. Sobre jornalismo. Mas também em comentários sobre política interna e sobre acontecimentos internacionais: nestes campos verifica-se que Câmara Reys redigiu bastantes editoriais da revista e muitas posições em nome da Seara Nova.

Câmara Reys manteve ou colaborou em diversas colunas regulares na revista, cujos títulos dão imediata ideia dos campos que abrangiam: Ecos e Comentários, Notas e Comentários ou Sueltos e Ecos.

O Conselho Redactorial da Seara Nova recorda, com um sentimento misto de gratidão e de respeito, o seareiro Luís da Câmara Reys recordando o muito que a Seara Nova lhe deve.

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