Factos & Documentos
Nº 1720 - Verão 2012
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)
Seria o buraco da economia nacional?
"Deus levou então Satanás ao buraco negro mais próximo e disse-lhe entra, que Eu tenho uma coisa para te mostrar. E assim foi. Entraram os dois pelo buraco negro adentro, e quando estavam quase a alcançar a singularidade do gigante cósmico, Deus mandou Lúcifer parar. Espera aqui, ordenou, que Eu venho já. E Satanás obedeceu. Esperou por Deus na boca daquele colosso cósmico, que engolia tudo e todos à sua volta."
Álvaro Santos Pereira (ministro da Economia)
in "Diário de um Deus Criacionista"
Gestores incompetentes
"Escolher um gestor de topo pela sua pertença a certos grupos ou pelas suas ligações partidárias ao poder pode parecer já hoje uma aberração, mas foi prática corrente nas últimas décadas. (...) O gestor que é transportado na circulação de interesses encapotados ou de uma via partidária, além de inexperiente nos negócios (ou na gestão da coisa pública) e por isso muito provavelmente incompetente é naturalmente um gestor inseguro e, eventualmente, medroso, avesso ao risco. Um gestor medroso e inseguro cerceia a iniciativa e limita o ambiente de crítica e o trabalho em equipa".
Simões Teles
Referencial
Janeiro-Março de 2012
O homem de Massamá
"A História ensina-nos que há sempre miguéis de vasconcelos, prontos a servir o poder dos mais fortes, em troca de algumas lentilhas que, diga-se de verdade, às vezes sã mais que lentilhas... É a isso que vimos assistindo em Portugal, onde ao bom aluno europeu, que só faz asneiras mas está na cadeira de Belém, se seguiu o homem de Massamá, que afirma orgulhosamente que tem muito gosto em ir além da troika!"
Vasco Lourenço
Referencial
Janeiro-Março de 2012
Rede de promiscuidade
"Hoje, o país é governado por um poder que só na aparência é democrático. Como vimos a força das oligarquias partidárias, sobretudo as do arco do poder, não lhes vem das raízes e ligações às suas bases e aos cidadãos ou da defesa dos interesses do país e do povo, vem sim da colonização do aparelho de Estado e da ligação ao poder económico e financeiro. Depois da comissão política será este poder a garantir-lhes o futuro nas suas empresas, instituições ou negócios. Por outro lado, o poder económico e financeiro português também é relativamente frágil, sempre foi, nunca teve suficiente iniciativa e capacidade, não corre riscos, prefere acomodar-se à sombra do Estado. Em palavras diz querer reduzir o Estado para maior liberdade e iniciativa, mas na realidade o que faz é alimentar-se do Estado e prosperar à sua sombra com negócios que empobrecem o país e a generaldiade dos cidadãos. Criou-se assim uma rede de contínua promiscuidade entre grande parte dos políticos, os lugares superiores da administração do Estado, incluindo os órgãos de soberania, e o poder económico e financeiro que vem alimentando a casta dos dirigentes nacionais".
Martins Guerreiro
Referencial
Janeiro-Marçlo de 2012
Quadro ideológico de intimidação
"Facto é que, embora o MAI e mesmo o «relatório» façam a destrinça entre os grupelhos de provocadores, parasitas da luta de classe e de massas, e a CGTP-IN e as suas acções na greve geral, os acontecimento do Chiado estavam convenientemente prontos para ser filmados e projectados à exaustão, interna e externamente, e serviram minuciosamente para o encaixe ideológio há muitos dias pré definido pelo capital financeiro e pela central de comando do Governo - «greve geral fraca e marcada pela violência» - assim mentiu o figurão de serviço na abertura do Telejornal. (...) Facto é que assim se constrói um quadro ideológico de intimidação e repressão das lutas de massas, para suscitar o medo e a resignação e criar condições futuras à sua limitação progressiva, sob o pretexto de acontecimentos que são preparados pelos próprios serviços de informações e os seus agentes nesses grupelhos".
Carlos Gonçalves
Avante!
12 de Abril de 2012
Eficiência pública
"O investigador norte-americano e pioneiro no estudo das células estaminais, Irving Weissman, considera que a ciência e a investigação financiada por fundos públicos é «mais eficiente» do que a realizada pelos privados, que evitam correr riscos económicos (...) Defende ainda que a ciência desenvolvida dentro dos centros públicos é mais barata, já que não tenta «cobrar» o custo do processo num produto ou num medicamento final".
Diário de Notícias
16 de Abril de 2012
Já ninguém acredita
"O caminho do empobrecimento, da austeridade, dos cortes cegos nos apoios sociais e do desmantelamento do Estado social desta governação neoliberal de Passos Coelho tem-se reflectido muito no agravamento das condições de subsistência das famílias. (...) Os sacrifícios impostos e as mentiras já ultrapassaram todos os limites. A coesão social vai estalar. O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, alerta para o risco de grande colapso social. Já ninguém acredita em inevitabilidades, a vida e a esperança não podem ficar hipotecadas nas decisões do egoísmo capitalista. A luta pode gerar mudança. A ganância dos mercados pode ser travada. A dignidade do ser humano vale muito a pena".
José António Pinto
Público
19 de Abril de 2012
Protectorado alemão
"A Alemanha viria a ocupar Portugal mais de seis décadas depois da Guerra. Mas é isso que está a acontecer realmente. Sob a capa levemente diáfana das 3 instituições que formam a troika, é de facto a Alemanha que ocupou Portugal, remetendo-o para o estatuto de protectorado e manipulando por completo as alavancas de soberania do nosso país. O protectorado alemão sobre Portugal é muito semelhante ao que o Reino Unido impôs ao Egipto até aos anos 40 do século passado, e também àquele que a França exerceu em Marrocos até 1956".
Sebastião Lima Rego
Público
19 de Abril de 2012
Falta de vocação
"O Estado de Pedro Passos Coelho não tem vocação para quase nada: não tem vocação para defender a escola pública, não tem vocação para desenvolver o Serviço Nacional de Saúde, não tem vocação para desenhar um modelo de desenvolvimento para o país, não tem vocação para pensar uma estratégia para a economia, não tem vocação para fazer uma diplomacia vigorosa na União Europeia, não tem vocação para ter um Ministério da Cultura, e por aí fora. É um Estado com uma extraordinária falta de talento. Resta pois ao Estado de Pedro Passos Coelho concentrar-se nas poucas coisas que sabe fazer bem: cortar nas despesas sociais, vender empresas e património, obedecer às decisões da Sra. Merkel, arranjar emprego para as clientelas, e manter a estrutura de decisões no estrito quadro da partidocracia".
Rui Tavares
Público
23 de Abril de 2012
Projecto eclipsado
"Hoje, quem saberá que rumo dar a um dos maiores acontecimentos do século XX, isto é, à União Europeia e ao euro? (...) É preciso dizer que, no princípio, não era assim. Para as figuras fundadoras, o desígnio era passar de uma Europa de guerras e conflitos a um futuro de paz e cooperação. O desenvolvimento desse projecto eclipou-se".
Frei Bento Domingues
Público
6 de Maio de 2012
Gestões milionárias
"A lei que regula a responsabilidade financeira permite, em abstracto, a responsabilização de todos os que usem e giram dinheiros públicos, trate-se de responsáveis de entidades públicas ou privadas. (...) O Tribunal de Contas tem, no que respeita às PPP, insistido agora na necessidade da criação de um gestor público do negócio que possa, por ele, ser responsabilizado. Importa, todavia, criar mecanismos jurídicos que permitam ao Estado ressarcir-se junto das entidades privadas que beneficiaram, e beneficiam ainda, de algumas proveitosas gestões de milionários fundos públicos".
António Cluny
Jornal i
8 de Maio de 2012
Fidelidade
"A obrigação do PS ser fiel ao acordo da troika chegou ao fim"
Mário Soares
Jornal i (título)
8 de Maio de 2012
Registe-se!
"Estou disponível para ir para a rua», diz António José Seguro"
Público (título)
11 de Maio de 2012
Humor negro
"O humor negro de Passos Coelho dirigindo-se àqueles sobre quem diariamente cai o bloco de cimento da austeridade para lhes mostrar o «lado positivo» da situação, com a sua crítica à «pieguice» ou o conselho aos jovens para que façam a trouxa e desapareçam, daria o livro de autoajuda em tempos de crise que Max Aub nunca escreveu".
Manuel António Pina
Jornal de Notícias
14 de Maio de 2012
A perversidade
"De resto, a perversidade mais estranha dos tempos que correm está em parecer que a prosperidade capitalista não se faz à custa dos trabalhadores, como queria Marx, mas sim à custa dos desempregados, como querem os especuladores... Ora isto só pode acabar mal".
Vasco Graça Moura
Diário de Notícias
16 de Maio de 2012
Violência do desemprego
"O primeiro-ministro ao afirmar «despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade», mostrou quão balofo é o seu conceito de modernidade e a conceção neoliberal que está inculcada no seu pensamento, demonstrou ausência de vida vivida e de dimensão cultural".
Manuel Carvalho da Silva
Jornal de Notícias
19 de Maio de 2012
Chocante!
Mais de 27% das crianças portuguesas vivem em situação de carência económica. O retrato é traçado no relatório Medir a Pobreza Infantil [da Unicef] (...) que coloca Portugal em 25.º lugar numa lista de 29 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. (...) Piores apenas a Letónia, Hungria, Bulgária e Roménia. (...) Se a amostra incluir apenas as famílias monoparentais, a percentagem dispara para cerca do dobro: 46,5% das crianças portuguesas que vivem só com o pai ou só com a mãe estão em situação de privação material. Em Espanha, por comparação, esta taxa não ultrapassa os 15,3%. Mas as crianças que estão em piores lençóis são aquelas cujos pais estão desempregados: aqui, o índice de carência atinge os 73,6% entre as crianças portuguesas".
Público
29 de Maio de 2012
Informações e interesses
"Para que servem hoje os serviços de informações portugueses? Se tivermos em conta as notícias que temos lido nos últimos meses, a resposta é fácil: os serviços de informações servem exclusivamente como exército privado ao serviço do partido que domina o aparelho de Estado num determinado momento e são usados para a recolha de informação privada ou reservada ao serviço de interesses particulares e para o exercício de pressões para servir os mesmos interesses".
José Vitor Malheiros
Público
29 de Maio de 2012
