Os pirómanos e a caixa de Pandora no Médio Oriente

Nº 1720 - Verão 2012
Publicado em Internacional por: Jose Goulao (autor)

A situação geral no Médio Oriente mudou, e muito, desde o início do século XXI.

Mudou, e para pior, apesar de continuar a falar-se, de forma cada vez mais leviana e com uma trágica irresponsabilidade, nos caminhos que estão a traçar-se para construir a paz na região.

"Primavera Árabe", "alvorada da democracia", revoluções coloridas e floridas são alguns dos conceitos românticos e anestesiadores com que são apresentadas nas parangonas dos jornais, nos prime-times de rádios e TV's mais influentes de todo o mundo as mudanças que acontecem no Mundo Árabe e na Ásia Central. Politólogos, opinion makers, analistas "de referência" garantem em coro afinado que está a despontar uma era pautada pelos princípios democráticos.

A diferença entre esta encenação propagandística, que beneficia da instantaneidade e da globalização da imagem, sons e palavras de que Goebbels não pode usufruir, e a realidade no terreno é o prenúncio de uma imensa tragédia que parece cada vez mais difícil de travar.

O Médio Oriente deixou de estar em fogo lento. Está em chamas e os pirómanos militares, económicos, políticos e mediáticos responsáveis por este sacrifício metódico de vidas humanas que está em curso na mais delicada região do planeta não se cansam de atear incêndios que a prazo serão incapazes de dominar e poderão queimá-los a eles e, por tabela, a todos nós. Muitas são as criaturas que, como aconteceu com recorrência nas últimas décadas, não tardarão a virar-se contra os criadores.

Cada caso, cada acontecimento no Médio Oriente tem a sua especificidade; as suas interligações formam uma teia de malha apertadíssima, um labirinto irresolúvel; a resultante é um monstro de muitas cabeças e lucidez humanista praticamente nula.

Palestina

Há quem continue a falar, burocraticamente, no processo de paz do Médio Oriente, essa coisa efémera que foi real até que um fundamentalista judaico matou o seu primeiro-ministro, no já longínquo Outono de 2004. Tudo o que se passou depois disso foi a corrupção contínua da génese do movimento. Hoje resume-se a causa do fracasso, com o descaramento da ignorância e a perversidade da má fé, ao facto de os palestinianos não quererem negociar porque os israelitas insistem na colonização. Como se fosse um capricho.

Colonatos israelitas em territórios da Palestina

Colonatos israelitas em territórios da Palestina

Muro que Israel construiu e (constrói) na Cisjordânia

Muro que Israel construiu e (constrói) na Cisjordânia

Bastarão escassos minutos de navegação pela internet através de um comum motor de busca para se perceber, desde que a cabeça esteja livre de preconceitos, que a colonização israelita de Jerusalém Leste e da Cisjordânia liquida qualquer negociação. Não é preciso ir em busca das Convenções de Genebra, onde é evidente a ilegalidade da colonização - tanto a israelita na Palestina como a turca no Chipre, como a marroquina no Saara Ocidental; não é essencial seguir os caminhos tortuosos e vergonhosos do muro do apartheid que Israel construiu (e constrói) na Cisjordânia metodologia bem mais eficaz e humilhante ainda do que a segregação praticada pelos racistas sul-africanos. Basta perceber que cada colonato criado ou ampliado em Jerusalém Leste ou na Cisjordânia é mais um passo na ocupação gradual desses territórios onde, segundo é assumido pela chamada "comunidade internacional", um dia deveria ser declarada a independência do Estado da Palestina. Um colonato não é apenas uma agregado populacional, uma aldeia ou uma cidade; é uma estrutura com os seus próprios circuitos de estradas, de água, de energia, de produção vedados aos palestinianos. Quando mesmo assim as autoridades de Telavive têm dúvidas de que as garantias dadas pela implantação sejam suficientes instalam o exército e contratam-se milícias a multinacionais privadas de segurança, os novos intérpretes da privatização da guerra e das forças policiais.

Se um dia, por absurdo, israelitas e palestinianos chegarem a um acordo de paz, pelo caminho que as coisas seguem actualmente já não haverá território onde criar qualquer Estado da Palestina. Obama, Barroso, Clinton, Merkel, os petromonarcas da Arábia e os neo-otomanos de Ancara, os figurantes do "Quarteto para a Paz" presididos por um doutorado em trapaça política chamado Blair sabem-no muito bem.

Com a paciência forjada numa luta de quase sete décadas, os palestinianos enviaram recentemente uma carta a Netanyahu manifestando, ainda e mais uma vez, a disponibilidade para negociar os seis pontos ainda por resolver entre as duas partes. O primeiro-ministro de Israel respondeu negativamente, contrariando na prática o que afirma cada vez que sobe publicamente a um púlpito e se coloca atrás do microfone.

Vamos começando, entretanto, a receber novos sinais de que o povo palestiniano, o povo das duas Intifadas, se sente de mãos livres para travar novas batalhas cívicas e humanistas capazes de passar por cima dos cúmplices de Israel e chegar aos povos do mundo em busca de solidariedade, como no início dos anos noventa e deste século. Tivemos notícias da penosa, heroica e vitoriosa greve da fome de dois mil presos políticos palestinianos nas masmorras israelitas. Outros sinais iremos perceber em breve. Será impróprio, como é insultuoso, comparar os levantamentos palestinianos com aquilo que baptizaram como "Primavera Árabe". Iniciaram-se antes e vão prosseguir depois de esses movimentos, alguns deles com genuína génese popular, terem sido completamente empalmados pelas manigâncias militares, políticas e incendiárias dos donos do mundo.

A Palestina é e continuará a ser a questão central do Médio Oriente. Sem uma solução justa para o exercício dos direitos integrais do povo palestiniano não haverá paz na região. Por isso, os sinais de resistência e luta que nos chegam da Palestina são provavelmente os únicos indícios de esperança que iremos acolher e aos quais será fundamental corresponder para travar a derrapagem de toda uma região para uma tragédia que contaminará o mundo inteiro.

Egipto

O mais populoso país árabe e o único que tem um acordo de paz com Israel vive uma perigosa situação de indefinição. Quando parecia que a experiente Irmandade Muçulmana iria assumir todas as rédeas do poder depois dos resultados das eleições parlamentares, a consulta para eleição do presidente revelou uma sociedade tripartida entre os confessionalistas, os que apostam na estrutura do antigo regime sob a tutela dos militares e os que se revêem no neo-nasserismo e nos tempos de uma afirmação plena, independente e com referências sociais do regime de Gamal Abdel Nasser, depois corrompido por Anwar Sadat e Mubarak.

Manifestação popular na Praça Tahrir, na capital do Egipto

Manifestação popular na Praça Tahrir, na capital do Egipto

Um eventual domínio político do Egipto pela Irmandade Muçulmana é uma incógnita. A organização não é homogénea, pode ainda ter de recorrer a alianças pontuais com os radicais salafitas com grande presença no Parlamento, mas assumirá, aí sem qualquer dúvida, a transição do laicismo do Estado para o confessionalismo islâmico e provável aplicação da sharia, a lei islâmica. Os próprios militares qualificam estas eventuais alterações como um "regresso à Idade Média", fraseologia propagandística de índole eleitoralista mas que tem resquícios de verdade em termos de cultura, educação, direitos das mulheres e das minorias religiosas. Um regime islamita coexistindo com um exército formalmente leal do ponto de vista institucional mas na realidade impreparado para aceitar esse papel indicia um Egipto instável e imprevisível.

Os Estados Unidos têm mantido contactos com a Irmandade Muçulmana, organização que beneficiou ainda da "ajuda" das agências governamentais e entidades "não governamentais" norte-americanas especializadas em "ensinar" a democracia através do mundo; Washington prefere, contudo, os militares, o aparelho através do qual investiram e investem o seu esforço de controlo sobre o comportamento internacional e regional do país, principalmente nas relações com Israel - à custa dos direitos dos palestinianos.

Das grandes jornadas populares da Praça Tahrir já pouco resta; e as que eventualmente se sigam provavelmente acabarão em banhos de sangue a pretexto de salvaguardar a nova "legitimidade democrática".

A estabilidade no Egipto não chegará certamente com a eleição do presidente. A dicotomia político-militar não ficará resolvida, tanto mais que Washington fará questão de estar por detrás da componente castrense. A indefinição, por outro lado, está associada ao desenvolvimento dos acontecimentos na vizinha Síria.

Síria e Líbano

A situação na Síria é, no momento, o principal foco de incêndio, o lugar de acção preferido dos pirómanos.

Grupos “rebeldes” mercenários

Grupos “rebeldes” mercenários

A desestabilização selvagem na Síria não é apenas o passo seguinte da mudança de regime imposta na Líbia à sombra da chamada "Primavera Árabe"; tem como objectivo instaurar em Damasco um regime da confiança de Washington, de Israel, da NATO, das potências dominantes na União Europeia para forçar uma alteração de forças qualitativa no Médio Oriente e garantir um acesso sem restrições às principais fontes de petróleo e gás natural do mundo. A palavra "democracia" aparece envolvida em todo este processo mas sejamos claros: desde as primeiras genuínas manifestações populares por mudanças políticas na Síria já ninguém leva a sério a questão da "democracia". O rei vai nu.

A Síria não é um país petrolífero mas funciona como um tampão ao controlo do eixo Washington-Telavive sobre todo o Médio Oriente. Não está sintonizado com aliados estratégicos dos Estados Unidos como a Turquia e a Arábia Saudita, mantém-se fiel às reivindicações territoriais sobre as zonas ocupadas por Israel, tem fortes laços sobretudo económicos com potências emergentes como a Rússia e a China e é um obstáculo à vulnerabilidade total do Irão.

A instalação de um regime dócil em Damasco seria ouro sobre azul para todos os sectores que se desmultiplicam em combater o regime de Damasco - agora denunciado como aquilo que sempre foi, autoritário, mas com o qual as grandes potências foram mantendo relações não muito exuberantes mas sempre convenientes - recorrendo a uma repugnante e sanguinária devastação humana, social e económica.

Depois da embalagem inicial incentivada e sustentada pelos resultados da guerra na Líbia, os estrategos da NATO acabaram por perceber as diferenças e travaram às quatro rodas em termos de envolvimento directo. Não apenas porque o aparelho militar sírio tem uma envergadura e uma preparação mais evidentes mas também porque a Rússia e a China explicaram diplomaticamente o que não queriam no terreno - o que lhes valeu serem mimoseados com o léxico bafiento da guerra fria restaurados dos arquivos, alguns deles se calhar ainda por informatizar.

Quando a NATO suspendeu os preparativos iniciais para a invasão já existia no terreno uma organização criada e trainada na Turquia, o Exército Sírio da Liberdade, uma coisa que deveria ser o braço armado do Conselho Nacional Sírio, a "oposição" para a qual são encaminhados os apoios internacionais encomendados pelos Estados Unidos, embora seja uma "oposição" bastante mais conhecida em Paris e Londres do que na Síria, desconhecida aliás da autêntica oposição interna. Até aqui o paralelismo em relação à Líbia foi total, de tal modo que Abdelhakim Beliaj, irmão de armas de Bin Laden na al-Qaida e nas guerras do Afeganistão, agora entronizado como governador militar de Tripoli, capital líbia, se tornou também o coordenador militar do tal Exército Sírio da Liberdade.

Em vez da invasão pela NATO, Washington e os estrategos internos e externos aos seus serviços optaram por uma injecção na Síria de grupos de mercenários islâmicos armados através das fronteiras da Turquia, do Líbano e também da Jordânia. Esses soldados da fortuna e do salafismo têm combatido em guerra atrás de guerra, ora ao lado da NATO ora contra a NATO, alguns ainda no Afeganistão, na Bósnia, no Kosovo outros no Iraque, no Líbano, na Líbia, no Iémen, na Argélia; são especialistas em atentados, como aliás foi evidenciado em numerosos edifícios públicos da Síria, implacáveis com as populações em nome dos dogmáticos princípios religiosos interpretados dos modos mais extremistas, o que, portanto, não os faz recuar na possibilidade de utilizarem escudos humanos contra os objectivos que querem levar de vencida.

As ligações destes grupos são múltiplas, mas a própria secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, reconheceu durante o período em que Washington recuou na perspectiva da intervenção militar que entre as forças da "oposição" associadas ao Exército Sírio da Liberdade, na verdade um monstro acéfalo do ponto de vista operacional, estão grupos ligados à al-Qaida ou aparentados. Também já não é segredo de que pelo menos há cinco anos Israel e a Arábia Saudita convergem no apoio à Irmandade Muçulmana na Síria.

Apesar disso, e como recentemente reconheceu o jornal Washington Post, os Estados Unidos fornecem armas, apoio logístico e financeiro à "oposição" armada síria através da Turquia, do Qatar e da Arábia Saudita, os seus aliados directos nesta operação dita de implantação da democracia. Não há no mundo quem ignore quão democráticos são a Arábia Saudita e o Qatar através dos seus regimes confessionais de aplicação estrita da lei islâmica. Falar em "democratização" da Síria neste cenário é um insulto aos valores democráticos, continuamente espezinhados desde o austeritarismo na Europa às "primaveras árabes" patrocinadas por ditaduras e aparentadas. Não esqueçamos que, apesar da fachada democrática, os dirigentes neo-otomanos de Ancara continuam rejeitar os elementares direitos nacionais da comunidade curda no país.

Acresce dizer que todos os testemunhos independentes na Síria revelam que, por um lado, as manifestações cívicas da oposição foram abafadas manu militari pelos grupos salafitas e que a guerra está longe de se estender a todo o país, onde mesmo comunidades e sectores políticos que não se identificam com o regime de Damasco receiam muito mais os novos "libertadores".

A degradação da situação na Síria tem a sua equivalente no vizinho e pequeno Líbano, onde grupos sunitas manobrados pelo ex-primeiro-ministro Hariri, que tem igualmente nacionalidade saudita, continuam a contribuir para a desagregação nacional através da criação de zonas dedicadas ao apoio aos grupos armados que actuam em território sírio, como acontece na região norte.

A mãe de todas as ameaças

Se continuarmos a percorrer, agora de maneira mais sumária, as consequências várias da "primavera árabe" lembremos a forma como foi barbaramente asfixiada a revolta popular no Bahrein através de uma invasão saudita com apoio norte-americano. O caso é exemplar para ilustrar a falsidade e a mentira de todos os argumentos que são usados para explicar comportamentos e atitudes de Washington, Bruxelas e seus aliados regionais. A Arábia Saudita, uma ditadura religiosa que mandou as tropas esmagar o movimento pela democracia no Bahrein é o mesmo país que actua financeira e militarmente pela instauração da "democracia" na Síria. Pouco mais é preciso dizer a não ser - porque se trata de uma situação fulcral para os perigos que temos em desenvolvimento - que a liquidação do levantamento no Bahrein atingiu sobretudo xiitas (logo, "pró-iranianos") e o apoio aos "rebeldes" na Síria favorece sunitas, comunidade afim com o poder saudita.

Manifestação em funerais dos mortos da repressão militar no Baherein

Manifestação em funerais dos mortos da repressão militar no Baherein

Na Líbia, a NATO e os "rebeldes" por ela apoiados, dominados em termos operacionais pelos radicais islâmicos, deixaram o caos no país, agora na verdade governado por dezenas de milícias armadas, tribos, seitas associadas à velha monarquia e grupos secessionistas guiados por interesses económicos externas, como acontece através da "separação administrativa" declarada pela Cirenaica, a região que concentra as maiores reservas de petróleo do país, consideradas as mais importantes de África.

No Iémen, tudo o que se passa tem como objectivo fundamental garantir que o país funcione como uma base militar norte-americana no âmbito de uma rede estratégica que inclui o Bahrein como sede da Quinta Esquadra, uma base área por ora vocacionada para drones (aviões sem piloto) nas Seychelles e o controlo absoluto do território e das facilidades navais do Djibuti por forças militares dos Estados Unidos. O domínio total sobre o Corno de África e a costa africana do Índico, somado ao controlo sobre a Península Arábia e o policiamento do restante Médio Oriente através da aliança com Israel, traduz uma poderosa operação imperial de recomposição e reforço estratégico. Uma exibição de força e de poder que poderia representar a garantia de tutela absoluta sobre as principais fontes de energia mundiais se...

Este "se" é um grande "SE" que a situação na Síria ajuda a compreender nas suas fragilidades e enormes riscos para a região e para o mundo.

As grandes potências patrocinadoras destas adaptações estratégicas estão a brincar com o fogo reactivando demónios que a prazo não conseguirão controlar e que os regimes laicos nacionalistas árabes, com todos os seus defeitos e insuficiências, mantiveram relativamente adormecidos. Demónios na acepção da palavra, porque se trata de fenómenos religiosos cuja exploração tem vindo a causar problemas até agora insolúveis como acontece no Afeganistão e no Paquistão, como sucedeu em Israel quando deu alento ao Hamas para dividir os palestinianos na primeira Intifada, como ainda se verifica no Bahrein, como está a ocorrer na Líbia e estando apenas abafados por força militar na Bósnia, na Macedónia, no Kosovo...

Os irresponsáveis dirigentes ocidentais estão a acirrar uma guerra religiosa que só poderá ter consequências trágicas muito para lá da pretendida divisão do mundo islâmico. Através das petromonarquias do Golfo, dos neo-otomanos de Ancara, dos salafitas líbios, egípcios e de várias outras regiões, que são expressões da grande maioria sunita no islamismo, pretendem vulnerabilizar e isolar o grande e cobiçado centro xiita, o Irão. Por isso a família Assad tem que ser derrubada na Síria, não porque não seja democrática mas sim porque a minoria governante alauita, parte do xiismo, logo com afinidades religiosas e culturais com o Irão, é um obstáculo à dominação do país pelos sunitas a soldo de Riade, Ancara, Telavive, Bruxelas e Washington. Escusado será dizer que todos os bandos de mercenários infiltrados na Síria a partir dos países vizinhos são fundamentalistas sunitas como a al-Qaida e aparentados.

No limite, os dirigentes ocidentais que ambicionam garantir a tutela sobre o petróleo do Irão e o desaparecimento de um regime que incomoda o domínio de Israel sobre a região, encorajam, animam e financiam uma guerra religiosa envolvendo as populações de países onde as crises provocadas pelos confrontos e pelas carências económicas e sociais têm levado as camadas maioritárias e mais atingidas, as dos mais jovens, a refugiar-se em massa nas causas religiosas mais radicais.

Tivemos e temos no Iraque uma pequena amostra do que podem provocar esses confrontos sectários. Agora recordemos que o islamismo é a religião mais populosa do mundo, pelo que antagonismos deste tipo dirimidos militarmente numa zona não tardarão a estender-se a outras regiões mais ou menos distantes.

Os mais poderosos dirigentes mundiais estão irracionalmente a abrir uma assustadora caixa de Pandora.

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