A Seara Nova e o lugar da literatura

Nº 1725 - Outono 2013
Publicado em Memória por: Isabel Pires de Lima (autor)

1 A Seara Nova nasceu umbilicalmente ligada à literatura. Alguns dos seus dinamizadores tinham vivido em comum uma aventura centrada em torno de questões do pensamento e muito particularmente em questões do foro literário, no âmbito do movimento da Renascença Portuguesa e do seu órgão, a revista A Águia.

Ainda no quadro da Renascença Portuguesa e d'A Águia, uma forte polémica opusera António Sérgio e Raul Proença - dois dos grandes nomes seareiros, particularmente Raul Proença, que seria um dos fundadores da Seara Nova - a Teixeira de Pascoaes, um dos homens fortes d'A Águia, ligado à própria teorização do saudosismo e a um pensamento nacionalista que, obviamente, estava nos antípodas ou pelo menos claramente distante do racionalismo e do europeísmo de um António Sérgio ou de um Raul Proença. Estes últimos passaram d' A Águia para a Seara Nova, mas também Jaime Cortesão, e o próprio Augusto Casimiro, colaboradores assíduos d'A Águia e que estarão no lançamento da Seara Nova.

Francisco António Correia, Faria de Vasconcelos, Câmara Reis, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raul Proença

Francisco António Correia, Faria de Vasconcelos, Câmara Reis, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raul Proença

Também de um outro grupo de intelectuais organizados e de grande relevância vem gente para a Seara Nova, o grupo da Biblioteca Nacional. Daí saem para integrar a nova revista escritores dos mais prestigiados da época. Basta lembrar Raul Brandão, que será um seareiro "velho", com cerca de mais 20 anos que os outros seareiros.

Do grupo da Biblioteca Nacional integrarão o projecto da Seara Nova além de Raul Brandão, Aquilino Ribeiro e Câmara Reis. É aliás Aquilino Ribeiro quem sugere o título "Seara Nova", uma seara nova que venha trazer "pão para a boca e para o espírito".

Lembre-se que Raul Proença, exactamente num texto de fins de Maio de 1921, publicado no Diário de Lisboa, o qual é uma espécie de pré-apresentação da revista, falava na necessidade de "uma revolução espiritual", condição indispensável para pensar o futuro e orientar o espírito das massas:

(...)daremos o maior combate, não só às revoluções que se pretenderem fazer em nome das nossas ideias, como também a toda e qualquer revolução política, que se faça sem uma prévia revolução espiritual.(...) Sem essa reforma espiritual, todas as revoluções que se quiserem fazer, não passam de mutações teatrais e de vigários colectivos.

Antes mesmo da revista vir a lume, exactamente no sentido de promover esta revolução espiritual, vai ser criada uma editora, que se chamará Empresa de Publicidade Seara Nova, cujo primeiro título editado foi uma peça de teatro de Jaime Cortesão, Adão e Eva, à qual se seguiram muitos outros títulos literários.

No primeiro número, foram distribuídos pelouros - política, economia, educação, etc. - e um deles foi o da criatividade literária, que coube a Aquilino Ribeiro, Raul Brandão e Augusto Casimiro; houve ainda um pelouro da crítica teatral. Veja-se a importância dada ao teatro, exactamente como meio privilegiado de comunicação com o público. O pelouro da crítica teatral foi entregue a Câmara Reis.

Na apresentação da revista, Raul Proença reforça a ideia da necessidade de uma revolução espiritual, através de uma espécie de refundação de um pensamento crítico e da promoção da massa crítica nacional:

Esforçar-nos-emos acima de tudo pela elevação do Espírito, condição essencial de toda a nobreza da vida humana e das próprias reformas materiais. Para nós, a literatura, a arte, a filosofia não constituem um requinte dispensável da civilização: são, pelo contrário, as suas necessidades mais insofismáveis, as mais altas realidades da vida da espécie, sem as quais não seria possível conceber a sua existência nem desejar a sua prorrogação.

Da declaração de Raul Proença destaco sobretudo a compreensão da dimensão projectiva da arte, que nela está a meu ver claramente subentendida; um conceito da arte como tendo uma componente antecipativa de futuro e do próprio pensamento.

Talvez possamos relacionar este facto com a publicação, em finais dos anos 30, de um inédito, de entre os muitos dos mais diversos escritores que a Seara Nova publicou, de um tal Fernando Pessoa, recém-falecido, o qual rezava assim:

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

A questão da literatura e do seu poder e, consequentemente, da exegese literária vão ser, pois, centrais na Seara Nova. Ficou célebre

uma acalorada discussão que envolveu vários seareiros em torno de uma fala do diabo, no Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Na verdade, este é sinal como o texto literário era encarado como portador de pensamento, futuro, antecipação.

Digamos que a cultura e a criação são, para os seareiros, condições sine qua non para pensar aquilo a que hoje chamaríamos um modelo de desenvolvimento para Portugal e para construir uma nova cidadania - de facto grandes preocupações dos seareiros -; condições sine qua non para o exercício do pensamento ou, numa expressão própria dos seareiros, da própria "existência humana".

Cultura e criação

Em resumo, cultura e criação apresentam-se aos olhos dos seareiros como condição para a necessária criação de uma "elite esclarecida" com um sentido de missão, corporizável num intelectual antecipativo, um "intelectual profeta", na expressão de Jaime Cortesão.

Na verdade, ao longo das várias séries que se foram sucedendo, a Seara Nova vai ser verdadeiramente povoada por escritores provenientes das mais diversas matrizes estéticas e ideológicas. Uma análise levada a cabo por António Rafael Amaro, mostra que, entre 1933 e 1939, 54% dos artigos da revista foram de carácter literário e, entre 1959 e 1974, já numa "outra" Seara, o equilíbrio mantém-se entre artes e letras e política, com 42% cada.

Poderia elencar uma listagem interminável de escritores que colaboraram com a Seara Nova - aliás ela já foi feita, designadamente por Daniel Pires, no seu Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (2vols., Lisboa, Grifo, sd), que venho seguindo. A título meramente exemplificativo refiro, para além dos já citados, nomes tão destacados como os de Teixeira Gomes, Rodrigues Miguéis ou o de José Régio, que aliás durante vários anos manterá a rubrica "Cartas do Nosso Tempo"; ou ainda o de Gomes Ferreira que garantirá por seu turno a assídua crónica da Segunda Guerra, que dará origem ao seu livro O Mundo dos Outros; ou como o de Irene Lisboa, colaboradora persistente e fiel da Seara Nova. Isto para não falar de todos os neorrealistas, desde o grande Carlos Oliveira a Alves Redol. Mas também nomes como Jorge de Sena ou José Saramago, ou Augusto Abelaira ou Cardoso Pires... Quase tudo quem é quem no mundo da literatura passa pela Seara Nova.

Claro que esta vasta listagem envolve também muitos dos grandes nomes do ensaísmo literário português. A listagem seria igualmente longa e diversa. Cito alguns dos grandes como Castelo Branco Chaves ou Rodrigues Lapa, ou Óscar Lopes, ou Jacinto Prado Coelho, ou Vitorino Nemésio...

Talvez valha a pena lembrar que num dos diversos momentos de intensa dificuldade económica, e foram muitos, que a Seara Nova foi tendo, houve quem, como Raul Brandão e Teixeira Gomes, pusesse os seus direitos de autor ao serviço da sustentação da revista.

As polémicas

Uma tão vasta diversidade de perfis evidentemente que trouxe à revista uma fortíssima dimensão polémica, quer no campo literário quanto no do pensamento ou no político. Também um pouco ao acaso, citarei algumas dessas polémicas, detendo-me numa delas.

No campo literário, que pessoalmente mais me interessa, houve polémicas de natureza muito variada. Por exemplo, a violenta polémica em torno do conceito de revolução em Eça de Queiroz entre Castelo Branco Chaves e o Rodrigues Miguéis, quase bolchevique, dessa fase politicamente empenhada. Rodrigues Miguéis considerando Eça um reformista insuportável e Castelo Branco Chaves defendendo o espírito reformista/revolucionário do autor.

Lembro ainda uma polémica entre Mário de Castro e Manuel Mendes, em torno da crítica elogiosa que este fizera ao livro Olimpíadas, de António Boto. Não preciso de lembrar que preconceitos de índole sexual e de género estiveram subjacentes na reacção de Mário de Castro à crítica elogiosa de Manuel Mendes.

Outra célebre polémica opôs Mário Dionísio a João Pedro Andrade em torno do conceito "idealista" e "não dialéctico" da arte de que o primeiro acusa o segundo, o que não deixa de ser curioso, conhecendo-se a evolução do pensamento de ambos.

De entre as polémicas, destaco uma das que mais me interessam no campo literário e que é talvez uma das mais marcantes e seminais de quantas tiveram lugar na Seara Nova: a polémica entre José Régio e Álvaro Cunhal que terá consequências indeléveis numa definição do neorrealismo em termos apriorísticos, praticamente independente de realizações artísticas concretas.

A polémica Régio/Cunhal vai determinar, no fundo, o conceito de neorrealismo e também a leitura marxista que os neorrealistas farão da Presença, com manifestos preconceitos de ambas as partes, naturalmente.

José Régio e Álvaro Cunhal

A polémica nasce de uma reacção de Álvaro Cunhal a dois artigos de José Régio publicados na Seara Nova, nos quais Régio defendia a autonomia da obra de arte contra o que chamava a sua instrumentalização ideológica feita por alguns jovens de seareiros. Não os identificava, mas referia-se a uma vaga de gente nova, para quem a arte era um instrumento ideológico. Régio defende evidentemente a autonomia da obra de arte e Cunhal vai contrapor um critério essencialmente pragmático para apreciação da obra de arte que se oporá ao de Régio.

Num dos seus textos Régio dizia:

O maior artista é para mim o mais rico. Isto é: o cujo mundo próprio, sem trair a unidade essencial, mais ampla e mais profundamente abrange a variedade do mundo. Não distingo, pois, os livros por uma distinção das classes dos personagens, não avalio a humanidade de uma obra pelos partidarismos, dogmatismos, exclusivismos e restrições do autor, e, muito longe de considerar as características de actualidade e localidade valores da obra de arte, (ou, em geral, das obras do espírito) julgo que, actuais e locais ou não, só são realmente grandes aquelas obras que o selo da eternidade e da universalidade distingue. Não é isto ignorar que o pitoresco e o anedótico sejam muitas vezes necessários à obra de arte: Só é julgar que não é por eles que as obras de arte sobem, duram, valem.

Em síntese, a tese central de Régio era a seguinte: "Não se deve confundir literatura (...) com política ou sociologia; nem a arte literária é propaganda seja do que for." E defende uma perspectiva expressivista, algo neo-romântica da criação artística muito centrada na individualidade do criador. Para ele, as questões de ordem social ou política são legítimas na obra literária, mas apenas naqueles autores para os quais elas são "questão da sua própria personalidade humana e artística".

O mais célebre artigo de Cunhal, em resposta a Régio, chama-se "Numa encruzilhada dos homens", paráfrase irónica do título de um livro que Régio tinha acabado de publicar, chamado Numa encruzilhada de Deus. Obviamente numa atitude de um humanismo ligado a uma perspectiva marxista do mundo, Cunhal vai contrapor um critério pragmático na apreciação das obras literárias, dizendo a determinado momento:

Muitos jovens críticos (e muitos jovens leitores que não são críticos) são atraídos a falar e mesmo reclamar certos livros que embora, no aspecto da "arte pura", não representem um máximo, vão contudo de encontro às preocupações a ansiedades mais prementes desses jovens críticos e desses jovens leitores. Talvez isto explique por que se "veneram e respeitam" alguns escritores medíocres sob o aspecto da "arte pura" e se não venera a atitude na vida (expressa nas suas produções poéticas) do notável (sob o aspecto de arte pura) poeta José Régio.

(...) Um homem pode pensar ser magnífica uma obra literária, como obra de "arte pura", e ao mesmo tempo compreender a necessidade de repelir tal obra de arte, de a lançar para um canto donde não perturba a necessária linha de conduta de companheiros seus, ou de, mostrando-a, comentá-la fortemente. É que há a encruzilhada. E há um caminho a escolher. E há a sorte do mundo.

Citarei ainda um outro excerto do artigo de Cunhal, que é um dos seus passos mais irónico mas mais elucidativo do texto e contribuirá para identificar para sempre a polémica, que ficará conhecida como a polémica em torno do "umbilicalismo" da Presença. Cunhal diz:

A vida para esses homens [os criadores presencistas, entre os quais está Régio] pouco mais é que a apreciação do próprio cansaço, do próprio desalento, da própria solidão. Muitos nem chegam a aperceber-se de que as determinantes desse cansaço, desse desalento e dessa solidão se encontram no barulho e nas oscilações das lutas na encruzilhada. Esquecem esses determinantes e ajeitam-se na incómoda posição de José Régio:

Vergo a cabeça sobre o peito

Concentro os olhos sobre o umbigo

E numa parte quase final do artigo, acrescenta:

É transparente como água que literatura não é política nem sociologia e que arte literária não é propaganda. Mas não é menos transparente que toda a obra literária - voluntária ou involuntariamente - exprime uma posição política e social e que toda ela faz propaganda seja do que for (inclusivamente do próprio umbigo). Simplesmente, há quem prefira, pelas razões atrás expostas, as obras literárias que exprimem determinada posição política e social às obras literárias que exprimem outra posição política e social. E uma posição política e social não existe só quando se afirma claramente a preferência por um ou outro dos caminhos que saem de uma encruzilhada, mas existe ainda quando há um afastamento da encruzilhada. Creio - digo-o quase sem ironia - que a "adoração do próprio umbigo" exprime também uma posição (e até uma atitude) política e social...

Os campos estão claramente definidos, mas o que é curioso é que Cunhal nunca descura a valorização de Régio em termos estéticos. Num outro ponto, sempre no mesmo artigo, escrevera:

Eu tenho José Régio como um dos mais poderosos e capazes poetas portugueses contemporâneos - quanto ao potencial e capacidade de expressão. Tenho As Encruzilhadas de Deus como uma das mais vibrantes obras poéticas portuguesas contemporâneas. Mas tenho também José Régio, a sua poesia, o conteúdo da sua poesia, como uma expressão dolorosa da fuga, do cansaço, da renúncia, daqueles que não têm força e sensibilidade para permanecerem corajosamente onde se degladiam as multidões. A poesia de José Régio exalta uma posição (e até uma atitude) condenável, fracassada e decadente.

Decadente era uma palavra cheia de implicações avaliativas na época. Era uma palavra anátema dos teóricos do realismo socialista, designadamente na condenação da arte burguesa, a partir da teorização do realismo socialista apresenta por Plekhanov no Primeiro Congresso dos Escritores Soviéticos, realizado, no começo da década de 30, em Moscovo.

Claro que Régio vai responder a Cunhal, muito sentido, dizendo que os critérios de Cunhal são essencialmente de ordem pragmática, contrapondo por seu turno um ponto de vista ditado pela inquietação ontológica. A polémica vai desenvolver-se neste sentido. Na resposta, Régio diz: "Não admito que se pretendam impor tema ou formas a um artista. Não admito que se pretenda impor nada a um trabalhador intelectual."

Digamos que estamos perante uma mútua caricatura: do neorrealismo por parte de Régio e da arte presencista por parte de Cunhal. O que vai ser curioso é que, do ponto de vista das soluções formais, a Presença e o neorrealismo vão acabar por aproximar-se bastante do ponto de vista de um certo expressionismo estético, não evidentemente do ponto de vista dos conteúdos ou do ponto de vista da arte entendida como um compromisso, por parte do neorrealismo, e como um expressivismo individual, por parte da Presença. Na verdade, do ponto de vista das soluções estéticas haverá em ambos uma espécie proximidade de práticas de um certo expressionismo estético muito próprio da época.

São estes os ingredientes fundamentais da polémica, em torno dos quais se construirão, em grande medida, muitos dos equívocos do movimento neorrealista e da Presença, sobretudo muita da futura polémica interna (entre forma e conteúdo) no seio do neorrealismo. Por isso esta será uma polémica seminal.

Rosa Maria Martelo, num dos textos a meu ver mais importantes sobre o neorrealismo em Portugal, Carlos Oliveira e a referência em poesia (Porto, Campo das Letras, 1998), sintetiza a questão, a propósito desta polémica, nos seguintes termos:

Os detractores da Presença tendem a reduzir a sua poética, sobretudo através da imagem projectada de Régio, à "arte pura", isto é, a uma forma de arte na qual sublinham o estatismo, o isolamento do artista na torre de marfim de perfeccionismo estético e um individualismo carregado de conotações mais negativas, recusando-lhe a possibilidade de coordenação com o humano em sentido transindividual; os presencistas, por sua vez, tenderão a reduzir o papel da nova geração anunciada ao de meros executantes, no plano literário, de um projecto político-social, isto é, a acusá-los de secundarizar os valores estéticos em arte.

No fundo, há em ambas as perspectivas um certo desvirtuamento simplista que se vai reflectir no campo literário português nos anos 40 e 50 e até talvez 60.

Termino com uma referência a uma série de actividades relacionadas com o campo literário e com a literatura que a Seara Nova desenvolverá ao longo do seu percurso e que foram de um grande impacto no deserto da cultura portuguesa dos anos 30, 40, 50 e sobretudo 60. Refiro-me a actividades do tipo:

  1. Publicação de colecções de clássicos da cultura portuguesa, incluindo separatas com fins pedagógicos.

  2. Publicação de inéditos da cultura e da literatura portuguesas envolvendo escritores os mais diversos, desde clássicos como Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco ou Júlio Dinis, até contemporâneos como Gomes Ferreira ou já não exactamente contemporâneos como Gomes Leal, Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa.

  3. Organização de inquéritos e entrevistas a escritores; dossiês temáticos sobre escritores; comemorações de efemérides, como, por exemplo, os 50 anos de vida Aquilino Ribeiro ou de José Gomes Ferreira ou o centenário de Raul Brandão. Isto para além do importantíssimo Inquérito do Livro em Portugal, organizado ainda nos anos 40 por Irene Lisboa, peça fundamental para se conhecer o campo literário português da época.

Concluo assinalando como ao longo dos 90 anos da sua existência a Seara Nova tem feito jus à declaração programática de Raul Proença:

Para nós, a literatura, a arte, a filosofia não constituem um requinte dispensável da civilização: são, pelo contrário, as suas necessidades mais insofismáveis, as mais altas realidades da vida da espécie, sem as quais não seria possível conceber a sua existência nem desejar a sua prorrogação.

 

 

1 Este texto é a mera transcrição de uma conferência pronunciada, em 23 de Abril de 2013, na Reitoria da Universidade do Porto, no âmbito de uma exposição sobre o movimento da Seara Nova.

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