Nota de Leitura: História dos resistentes, dos “sem voz”
Nº 1728 - Verão 2014
Publicado em Cultura por: J. C. (autor)
A propósito da Revolução de Abril têm sido publicadas, ao longo dos anos, diversas obras algumas das quais merecem especial atenção por analisarem, com particular seriedade, aspectos relevantes relacionadas com a evolução da Democracia até ao golpe do 25 de Novembro de 1975.
Um desses estudos é da autoria da historiadora Raquel Varela, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto Internacional de História Social, de Amesterdão. A autora salienta o facto de se poder encontrar neste livro uma história de resistentes, dos "sem voz", daqueles que habitualmente não ficam na história, soterrados por decretos, declarações diplomáticas, jogos de bastidores e lutas políticas.
Raquel Varela apresenta-nos uma cronologia da revolução centrada na actuação dos actores do mundo do trabalho, com destaque para as greves, manifestações e ocupações e outros movimentos sociais ocorridos durante o biénio 1974-75. Analisa, ainda, a forma como se processou o controle operário e não deixa de ser sintomático que considere, tendo em conta a sua exaustiva investigação (são mais de 500 páginas), que "nunca na História de Portugal os trabalhadores tiveram tanta consciência de o ser e tanto orgulho em sê-lo".
Algumas das formulações e conclusões a que chegou serão, por certo, susceptíveis de gerar alguma polémica, mas torna-se evidente que esta obra tem a vantagem de nos fazer relembrar o importante papel desempenhado pelo Povo na dinâmica do processo revolucionário abruptamente travado em finais de 1975.
Numa altura em que os trabalhadores, o Povo em geral, sofrem as arremetidas de patronatos sem escrúpulos e das violências perpetradas pelo governo, recomendamos a leitura deste livro que reflecte momentos de grande exaltação popular "dos que já não querem ser governados como eram".
Como escreve no Prefácio o sociólogo Ricardo Antunes, que militou na luta contra a ditadura militar brasileira, "saindo de um período de trevas, foi essa fase de lutas sociais agudas que permitiu a montagem de um Estado com conquistas sociais que perduraram até recentemente e que a génese e actual vigência do neoliberalismo na Europa e em Portugal procuram raivosamente destruir".
Um desses estudos é da autoria da historiadora Raquel Varela, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto Internacional de História Social, de Amesterdão. A autora salienta o facto de se poder encontrar neste livro uma história de resistentes, dos "sem voz", daqueles que habitualmente não ficam na história, soterrados por decretos, declarações diplomáticas, jogos de bastidores e lutas políticas.
Raquel Varela apresenta-nos uma cronologia da revolução centrada na actuação dos actores do mundo do trabalho, com destaque para as greves, manifestações e ocupações e outros movimentos sociais ocorridos durante o biénio 1974-75. Analisa, ainda, a forma como se processou o controle operário e não deixa de ser sintomático que considere, tendo em conta a sua exaustiva investigação (são mais de 500 páginas), que "nunca na História de Portugal os trabalhadores tiveram tanta consciência de o ser e tanto orgulho em sê-lo".
Algumas das formulações e conclusões a que chegou serão, por certo, susceptíveis de gerar alguma polémica, mas torna-se evidente que esta obra tem a vantagem de nos fazer relembrar o importante papel desempenhado pelo Povo na dinâmica do processo revolucionário abruptamente travado em finais de 1975.
Numa altura em que os trabalhadores, o Povo em geral, sofrem as arremetidas de patronatos sem escrúpulos e das violências perpetradas pelo governo, recomendamos a leitura deste livro que reflecte momentos de grande exaltação popular "dos que já não querem ser governados como eram".
Como escreve no Prefácio o sociólogo Ricardo Antunes, que militou na luta contra a ditadura militar brasileira, "saindo de um período de trevas, foi essa fase de lutas sociais agudas que permitiu a montagem de um Estado com conquistas sociais que perduraram até recentemente e que a génese e actual vigência do neoliberalismo na Europa e em Portugal procuram raivosamente destruir".
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