Cinema: "Rainha do Deserto" de Werner Herzog

Nº 1736 - Verão 2016
Publicado em Cultura por: Dulce Rebelo (autor)

Em boa hora o realizador alemão resolveu contar-nos a epopeia vivida pela arqueóloga inglesa Gertrud Bell (1868-1926) na vastidão das paisagens desérticas da Arábia. Os extensos areais sob um sol escaldante, a caminhada ondulante dos camelos são duma enorme beleza e fazem-nos lembrar de imediato o filme de David Lean, Lawrence da Arábia (1962), que teve enorme êxito.

Aqui, porém, a história conta-se no feminino. A jovem Gertrud em duas situações da sua vida perde os homens amados e isso leva-a a desbravar outros caminhos.

A arqueóloga distinguiu-se no seu tempo (1868-1926) pela inteligência e fina diplomacia num mundo reservado aos homens.

As suas viagens, os seus contactos, a visão política dos acontecimentos, o diálogo estabelecido com os diversos chefes daqueles países fazem-na sobressair numa sociedade onde as mulheres, sujeitas a costumes de antanho e leis severas, tinham visibilidade mínima.

Gertrud Bell, com a sua acção política no terreno contribuiu para o enfraquecimento do poder britânico naquelas paragens e para a independência da Jordânia e do Iraque.

Respeitada e admirada pelos dirigentes daqueles países que afirmavam que Gertrud Bell não só dominava a língua como era a pessoa que melhor compreendia a civilização e a cultura daqueles povos.

No filme Gertrud cruzou-se com T.E. Lawrence, aqui interpretado por Robert Pattison, mas é esta figura feminina que se impõe pelas qualidades próprias numa aventura intensamente vivida com emoção.

Nicole Kidman tem uma interpretação excelente sóbria nos momentos dramáticos, intensa de verdade quando é preciso tomar decisões num mundo que em princípio lhe seria hostil.

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