Mário Ruivo (1927-2017)

Nº 1737 - Out/Inv 2016
Publicado em Memória por: Redaccao Seara Nova (autor)

No momento em que preparávamos o fecho do presente número da Seara fomos surpreendidos com a notícia da morte de Mário Ruivo reputado cientista de craveira internacional especialmente na área das ciências do mar, empenhado militante na luta contra a ditadura fascista, nomeadamente como dirigente do MUD Juvenil e seareiro activo até ao seu exílio forçado em 1961.

Enquanto exilado, em Itália, integrou o Comité Italiano de Solidariedade com o Povo Português e participou, em Roma, na Primeira Conferência da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN) em 1962.

Convidado em 1959 por Câmara Reys a integrar o grupo de redatores e colaboradores da Seara Nova de que se destacavam, entre outros, Manuel Sertório (Diretor Adjunto), Augusto Abelaira, Nikias Skapinakis, Rui Cabeçadas, Veiga Pereira e Vasco Martins deu uma contribuição significativa para o êxito desse grupo na sua tarefa de levar a cabo um projeto de renovação da Revista que consistia em imprimir-lhe uma nova orientação e um novo aspeto gráfico com o fim de, segundo António Reis, «desenvolver um amplo inquérito aos problemas atuais da gente portuguesa e proceder ao estudo e à articulação de soluções democráticas e socialistas ajustadas àqueles problemas».

Mário Ruivo, em virtude da sua competência científica e espírito humanista e universalista participa em 1972 na Conferência de Estocolmo, primeira conferência mundial organizada pelas Nações Unidas dedicada ao então designado “Ambiente Humano”. Conferência que contou com a presença de chefes de estado e que é antecessora das actuais COPs que, desde o Rio, em 1992, até Marraquexe, em 2016, promovem a concertação entre os países para mitigar os impactos decorrentes da exploração desregrada que o Homem, esse “predador terrífico” (nas palavras de Mário Ruivo) faz dos recursos naturais.

 

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