Factos & Documentos

Nº 1739 - Verão 2017
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

País na boca

“Vítor Gaspar engrossa aquela plêiade de gente lusa (…) sempre com o país na boca mas os interesses de terceiros no coração”.

Jorge Cordeiro

Diário de Notícias, 28 de Abril de 2017

 

Rússia não é ameaça

“Será melhor tomarmos consciência de que a Rússia não é uma ameaça existencial nem para a Europa nem para o Ocidente. Teremos mais a ganhar em substituir animosidade e confrontação por relações de cooperação e empatia. Excepto a indústria de armamento, mais ninguém tem a ganhar com a presente tensão. Só com uma mudança de comportamentos se conseguirão resolver mal-entendidos. É bom que se trilhe esse caminho antes que seja tarde”.

Carlos Branco

Expresso, 5 de Maio de 2017

 

Vencer pela luta

“Na contratação (colectiva) ganha vida muito do que Abril e Maio transportam na história do país, no caminho exigente mas frutuoso de aquisição de direitos e no percurso de luta dos trabalhadores. (…) Não é por acaso que a contratação colectiva é alvo preferencial das confederações patronais suportadas na política de direita e os sucessivos governos. Ninguém ignorará, incluindo o governo, que a recusa da eliminação da caducidade é parte de um processo contínuo de liquidação de direitos. (…) A recusa do governo em romper com velhos compromissos é o que é. Espectável e previsível. Hoje como sempre está nas mãos dos trabalhadores vencer pela luta o que parece inamovível”.

Jorge Cordeiro

Diário de Notícias, 5 de Maio de 2017

 

Futilidades de Fátima

“Entretanto descobri que o Papa Francisco publicou uma carta apostólica, em forma de motu proprio, que transfere as competências dos Santuários para o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. É precisamente o que mais falta em Fátima: torna-se um centro propulsor de saída para o mundo e não apenas de um altar de incenso. São ridículas as notícias colhidas ou veiculadas pelo Santuário sobre os cuidados com a figura do Papa, a sua indumentária para celebrar, o cálice de ouro, a pala para o resguardar do sol e outras futilidades do género. Parecem manifestar o propósito de neutralizar, na Cova da Íria, o que Bergoglio trouxe de novo: uma igreja de saída para todas as periferias, com gosto da alegria do Evangelho, e uma evangelização nova, libertadora, descrucificante”.

Frei Bento Domingues

Público, 7 de Maio de 2017

 

“Morreu, mas julga que não”

“Bento XVI, sob o ponto de vista institucional, morreu, mas julga que não. Está obrigado a ter um comportamento que não leve as pessoas a pensar que está arrependido de ter renunciado a ser o Bispo de Roma, sucessor de S. Pedro”.

Frei Bento Domingues

Público, 28 de Maio de 2017

 

Trabalhadores trapezistas

“Os trabalhadores que recebem o salário mínimo são como trapezistas equilibrados num fio muito fino – há uma série de contingências da vida que os podem levar a cair na pobreza. Esse fenómeno é tanto mais preocupante quanto houve nos últimos anos um aumento substancial do número de trabalhadores que recebem o salário mínimo – de pouco mais de 5% em 2008 para cerca de 25% no final de 2016. (…) Será que um trabalhador em Portugal é pobre apenas devido à respectiva composição familiar? (…) Há características no mercado laboral português que perpetuam situações de pobreza no trabalho”.

Susana Peralta

Público, 5 de Junho de 2017

 

Consulado de José Sócrates

“Há anos sem fim que se falava nos privilégios inaceitáveis da eléctrica nacional e no fim de nenhum governo português se atrever verdadeiramente a beliscá-los. Depois da queda do BES, da destruição da PT, da falência da Ongoing e do quase desabamento do BCP, a EDP era a última grande empresa com ligações íntimas ao consulado de José Sócrates que ainda não tinha sido visitada pelo Ministério Público. Foi agora. (…) A EDP, tal como o BES, nunca teve problemas com a alternância de governos. António Mexia foi ministro das Obras Públicas do governo de Santana Lopes (altura em que foram criados os CMEC) e tornou-se o senhor todo-poderoso da EDP durante o Governo de José Sócrates. (…) Todas as empresas que dependem dos negócios do Estado são portas-giratórias do circuito público-privado”.

João Miguel Tavares

Público, 6 de Junho de 2017

 

Incêndios do regime

“Este é um incêndio do regime, todos somos culpados. O único sentimento destes dias, além da compaixão, é a vergonha. A vergonha por ver o meu país nos jornais estrangeiros habitado por «os pobres portugueses». A vergonha por ver Portugal ser falado por estar a arder. A vergonha por ter lido, nos anos da dureza, que os bombeiros não tinham equipamento decente e que um bombeiro morrera porque as botas derreteram ao pisar o braseiro. A vergonha por terem, termos tido, tanta pena de nós. No século do homem em Marte, não conseguimos afastar as pessoas da morte. «Os Incêndios do Regime» é o texto mais completo e perfeito que se escreveu sobre isto. O Paulo Varela Gomes escreveu em 2005. Leiam-no hoje, está na rede. Vivendo nesse do deserto do interior e sendo o lúcido escrito que era, P.V.G. explica que o território que arde não é abstrato, não caiu do céu aos trambolhões, foi criado pela III República. «Está a arder por causa daquilo que o regime fez, por culpa dos responsáveis do regime e dos eleitores que votaram neles. Ardem, em Portugal, dois tipos de território: (…) a floresta de madeireiro, as grandes manchas arborizadas e pinheiro e eucalipto. A floresta arde porque as temperaturas não param de subir e porque, como toda a gente sabe, está suja e mal ordenada. Não foi sempre assim: este tipo de floresta começou a crescer nos últimos 50 anos, com a destruição progressiva da agricultura tradicional, ou seja, com a expropriação dos pequenos agricultores, obrigados a recorrer à floresta pela ruína da agricultura, para depois perderem tudo com os incêndios e desaparecerem do mapa social do país». (…) Este território nasceu de um meio enriquecimento das pessoas que, trinta anos depois do 25 de Abril, não chega para lhes permitir uma verdadeira mudança de vida e o colapso da autoridade de Estado central e local, este regime de desrespeito completa pela lei, que começa nos ministros e acaba no último dos cidadãos. É o território do incumprimento dos planos, das portarias e regulamentos camarários, o território da pequena e média corrupção, esse sangue, alma, nervo da III República”.

Clara Ferreira Alves

Expresso, 17 de Junho de 2017

 

Tragédias que se repetem

“As condições para a existência de tragédias como esta não se repetirão só nos próximos verões: repetir-se-ão já este verão”.

João Camargo

Público, 20 de Junho de 2017

 

História pouco edificante

“O SIRESP é mais do que a história de uma parceria público-privada que custou mais do que parece merecer; é uma história pouco edificante acerca do modo como se governa o interesse público e como do Estado se apropriaram os suspeitos do costume”.

Amílcar Correia

Público, 23 de Junho de 2017

 

Estranho…

“Quando um autarca ganha 4.000 euros não deixa de ser estranho que tenha um carro igual ao de Mario Balotelli, o jogador que não é conhecido por ser pobre”.

Bárbara Reis

Público, 23 de Junho de 2017

Ver todos os textos de REVISTA SEARA NOVA