O Poder Local Democrático nas urnas

Nº 1740 - Outono 2017
Publicado em Nacional por: Redaccao Seara Nova (autor)

Embora dada a sua natureza de fenómeno essencialmente local era já previsível que a influência do evoluir positivo para as populações das políticas praticadas a nível nacional influenciariam significativamente os resultados eleitorais. É, por isso, e sem surpresa, que acontece a derrota do PSD face à vitória do PS.

No conjunto, as forças que apoiam o governo, vêm reforçada significativamente a sua votação ultrapassando os 50% da votação enquanto que a oposição, (PSD; CDS e aliados) principais forças da direita, não vão além de pouco mais de 34% (ver quadro). Ficando os restantes cerca de 16% distribuídos por candidaturas “independentes” diversas.

Mas o caráter local destas eleições é também, e de forma significativa, demonstrado nos resultados obtidos. Ou seja, o carácter da governação local, da relação do eleito com o eleitorado, condicionou a generalidade das opções de voto, aliás como vem acontecendo desde a instituição do Poder Local Democrático.

Estranho seria se assim não acontecesse. Estamos pois perante um Poder Local Democrático vivo, essencial à resolução dos problemas das populações e, fundamentalmente, à intervenção quotidiana na vida política local factor relevante na consolidação do Estado Democrático.

Longe de estarmos perante uma cidadania adulta onde ninguém aliena o seu direito de intervir na vida da cidade, do bairro, da aldeia, teremos de considerar positiva as formas diversas de percepção das populações aos problemas do lugar e da forma como estes são tratados e disso são exemplo a proliferação de movimentos de cidadãos para os mais diversos fins sendo de destacar mesmo a constituição de Comissões de Moradores de âmbito local que se vêm verificando.

Os resultados verificados ao longo do território nacional demonstram assim que as populações não só estão atentas às formas como os que governam tratam os seus problemas como também abertas a novas propostas que sejam suficientemente credíveis para mobilizarem o seu apoio.

Factor de relevar ainda é a diminuição da abstenção, 45,04% contra 47,40% em 2013. Mais 175.022 votantes quando o número de inscritos até baixou de 83.571.

Pensamos por isso que o balanço a fazer das eleições de 1 de Outubro terá de ser positivo quer enquanto acto cívico essencial à consolidação do Estado Democrático quer como confirmação da derrota da direita ocorrida no passado dia 4 de Outubro de 2015.

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