Factos & Documentos

Nº 1746 - Primavera 2019
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

Regresso às cavernas

O discurso do número 2, o general Hamilton Mourão, foi um regresso às cavernas que o povo aplaudiu em delírio; o fim do discurso de Bolsonaro, quando ergue a bandeira brasileira em conjunto com Mourão e grita: "Esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for do nosso sangue derramado para a manter verde e amarela".

Ana Sá Lopes

Público, 2 de Janeiro de 2019

 

Comunicação social

Se é a própria comunicação social a conspirar contra a democracia não vejo como vai a democracia defendê-la. Não são as redes sociais que estão a destruir a nossa vida em comunidade. São empresas, proprietários, administradores, diretores, “repórteres” e apresentadores com nomes.

Daniel Oliveira

Expresso, 4 de Janeiro de 2019

 

Corrupção

Foram políticas erradas, a corrupção e o compadrio entre a política e os privados que nos levaram à bancarrota, à ajuda externa e ao resgate dos bancos. Sem um combate sério contra a corrupção, não voltará a haver confiança no Estado e na política.

Álvaro Santos Pereira (Director do departamento de estudos dos países da OCDE, Twitter, maio de 2018)

Expresso, 5 de Janeiro de 2019

 

Bestas do extremismo

As bestas do extremismo andam por aí e será trágico fechar-lhes os olhos; mas trazê-los para a primeira ordem de prioridades e dar-lhes a representatividade que não têm pode não ser tragédia menor.

Manuel Carvalho

Público, 6 de Janeiro de 2019

 

Apologia da negação I

Desde quando a apologia do racismo, do colonialismo, do sexismo, da homofobia, do classismo, passou a ser, outra vez, uma simples opinião? (…) Os media portugueses há décadas que dão todo o espaço a quem nega a violência colonial, os massacres perpetrados por tropas e colonos portugueses em Angola ou em Moçambique, a quem nega a natureza colonial do domínio português em África e na Ásia.

Manuel Loff

Público, 10 de Janeiro de 2019

 

Apologia da negação II

A quem nega e relativiza a natureza ditatorial do regime de Salazar, nega a matriz fascista do Estado Novo nos anos 30, nega a censura, a perseguição política, a tortura; até mesmo a quem nega que Salazar tenha sabido que a PIDE procurava assassinar Humberto Delgado. Bem podem começar a convidar para o debate democrático quem negue Auschwitz e que Hitler dele tinha conhecimento. Dizem por aí que também é “tabu”.

Manuel Loff

Público, 10 de Janeiro de 2019

 

Desastre humano e ambiental

A ameaça mais grave e imediata é no Brasil de Bolsonaro que “prometeu acabar com a agência brasileira encarregue do controlo da desflorestação e da demarcação das zonas indígenas” um passo para começar a destruição da maior floresta tropical do mundo e, sem recorrer a câmaras de gás, acabar com os índios amazónicos. Um desastre humano e ambiental com consequências incalculáveis.

Manuel Augusto Araújo

Praça do Bocage, 11 de Janeiro de 2019

 

Salazarismo

Salazar foi responsável pela perseguição, opressão, tortura ou morte de milhões de pessoas, em Portugal e em África. Faz muita falta morto. Tratemos disso.

Alexandra Lucas Coelho

Sapo24, 11 de Janeiro de 2019

 

CTT – Gestão Danosa

"Os últimos dados disponíveis, referentes ao primeiro semestre de 2018, evidenciaram a dimensão da ofensiva que a gestão privada está a levar a cabo: menos estações de correios; menos 169 trabalhadores, quando comparados com a mesma data do ano anterior; diminuição salarial em termos reais; prosseguimento da destruição de postos de trabalho, constante desde 2012. Neste período, os CTT distribuíram 57 milhões de euros pelos seus accionistas – como a família Champalimaud, grandes bancos europeus ou o fundo Blackrock –, um valor que ultrapassa o dobro dos lucros do ano anterior", escreveu o PCP no requerimento entregue.

Helena Pereira

Público, 21 de Janeiro de 2019

 

É pela cor da minha pele?

O primeiro-ministro condena os atos de vandalismo? Não. A pergunta subliminar foi esta: O primeiro-ministro que não é branco condena os atos de vandalismo cometidos por negros? Pois é! Não é uma pergunta normal! Tem por detrás uma intencionalidade. Tem subjacente o preconceito.

Marisa Morais

Público, 29 de Janeiro de 2019

 

Agressão grave desvalorizada

Uma advertência registada. Foi esta a pena disciplinar aplicada a Neto de Moura, juiz do Tribunal da Relação do Porto que desvalorizou uma agressão grave praticada pelo marido contra a “mulher adúltera”, num acórdão de Outubro de 2017.

Mariana Oliveira

Público, 6 de Fevereiro de 2019

 

Petróleo Venezuelano

Não é difícil concluir que não está em causa a defesa da democracia venezuelana. O que está em causa é o petróleo da Venezuela. (…) Se a Europa estivesse genuinamente preocupada com a democracia, há muito teria cortado relações diplomáticas com a Arábia Saudita. E que, se a Europa estivesse preocupada com a morte em massa de civis inocentes, há muito que teria deixado de vender à Arábia Saudita as armas com que este país está a levar a cabo o genocídio do Iémen.

Boaventura Sousa Santos

Público, 6 de Fevereiro de 2019

 

Duplicidade de critérios

Santos Silva ignorou o princípio que deveria reger as relações internacionais de qualquer Estado minimamente decente, sobretudo quando pequena potência que se quer fazer respeitar: o de, sobre os assuntos internos de um outro país, privilegiar o único âmbito legítimo de decisão internacional, a ONU. Apoiar o diálogo. Ser coerente. Pelo contrário, fez-se protagonista da duplicidade de critérios, da hipocrisia mais evidente.

Manuel Loff

Público, 7 de Fevereiro de 2019

 

Cartel da Saúde

Uma empresa privada na área da Saúde é livre de querer ou não continuar a manter o acordo com a ADSE. Mas o que assistimos nos últimos dias foi muito diferente. Foram diversas empresas privadas, em perfeita consonância de posição negocial, exercerem um poder de mercado conjunto como forma de pressão negocial. Alguém algures decidiu combinar que iam todos fazer o mesmo. Isto tem um nome e é ilegal: é um cartel.

Marco Capitão Ferreira

Expresso, 13 de Fevereiro de 2019

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