Factos & Documentos

Nº 1747 - Verão 2019
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

NATO I

Em boa verdade, os Estados membros da NATO são protectorados da estrutura imperial norte-americana, que tem a aliança como seu braço armado: são obrigados a abdicar de uma política de defesa independente, a colocar vultosos fundos orçamentais à disposição do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, a envolver-se em guerras por razões que lhes são alheias, ou mesmo contrárias, a manter relações hostis com Estados porque assim o exigem os interesses norte-americanos e não os interesses nacionais.

José Goulão

Abrilabril, 4 de Abril de 2019

 

NATO II

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, apelou ontem aos membros da NATO para que se adaptem e enfrentem uma grande variedade de “ameaças emergentes”, incluindo “a crescente agressão da Rússia, a competição estratégica da China e a migração descontrolada”. O responsável pela política externa dos EUA fez o apelo na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Nato, em Washington, que marcou o 70º aniversário da Aliança Atlântica.

Público, 5 de abril de 2019

 

Portugal continua subdesenvolvido

Portugal continua subdesenvolvido quando comparado com a Europa e cada vez mais territorialmente desigual. Porque não despega dos salários baixos (diz o INE que o salário médio são 890 brutos/mês), duma carga fiscal exagerada e de políticos que preferem ocupar-se da distribuição de mordomias e favores públicos aos prosélitos e às empresas do regime, a chamar os capazes de pensar o futuro do país. Submetido às várias castas partidárias e a uma Europa perdedora na competição com a China e os Estados Unidos, já ultrapassado em sede de indicadores relevantes pelos países da Europa de Leste, Portugal vive hoje da euforia do imobiliário, do comércio de curto prazo e do turismo de ocasião. Pouco, muito pouco, para sair da periferia. A crise financeira de 2008 entregou o nosso sistema financeiro e as nossas empresas estratégicas a capitais estrangeiros e estabeleceu a preponderância de uma criatividade única: a tributária. O subfinanciamento da educação e da saúde (os portugueses confrontam-se com cenários caóticos nas urgências hospitalares e com listas de espera no SNS, que levam muitos a morrer à espera de uma cirurgia) e a esmagadora ineficácia da justiça juntam-se ao envelhecimento da população para comprometerem o futuro e facilitar populismos vigilantes à espera da oportunidade.

Nas escolas portuguesas há medo e opressão. O medo de que falo é naturalmente diferente do medo de 1973. É o medo imposto pela sacralização do menor custo. A opressão a que me refiro é naturalmente diferente da de 1973. É a opressão imposta pela avalanche dos estudos empíricos sem rigor metodológico e pelos palpites dos falsos eruditos, que criaram o desvario curricular a que chamaram “flexibilidade”. É a opressão da “mudança de paradigma”, rumo ao século XXI, que substituiu o melhor da literatura, da filosofia, das humanidades e das artes pelo vocabulário abreviado e pobre em que se expressam as urgências dos nativos digitais e da “geração mais bem preparada de sempre”.

É a opressão do trabalho a mais, da burocracia sem sentido, do centralismo torturante.

Santana Castilho

Público, 1 de Maio de 2019

 

Colapso dos ecossistemas

O relatório divulgado pela Plataforma Intergovernamental de Política de Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês) refere que há hoje um milhão de espécies em riscos de extinção. E, avisam os cientistas, só uma rápida e abrangente transformação do sistema económico e financeiro nos poderá salvar do colapso dos ecossistemas. (…) A opção pela vida passará necessariamente, argumentam os cientistas, por uma mudança na organização da economia, uma nova forma de economia pós-crescimento.

Andrea Cunha Freitas

Público, 7 de Maio de 2019

 

Venezuela

O que os Estados Unidos montaram, desde que o presidente Obama declarou o país como «uma ameaça à segurança nacional» norte-americana, em 2014, é um sistema organizado de punição colectiva que visa a falência e o desmantelamento do Estado venezuelano.

José Goulão

Abrilabril, 9 de Maio de 2019

 

Redes Sociais

Como suscitar o potencial positivo das redes sociais e da Internet? (…) Parte da resposta reside fora das redes digitais. As câmaras de eco, fake news e extremismos antidemocráticos podem ocorrer online, mas derivam também de factores offline. Económicos, certamente. Mas também a ausência de comunidade na vida real, a epidemia da solidão. (…) Estar à distância de um clique do resto do mundo não acaba com o nacionalismo, nem garante ligações genuínas.

Carlos Jalali

Público, 15 de Maio de 2019

 

Berardo

Os responsáveis maiores, os que não têm perdão, são os que o financiaram para assaltar o BCP, sobretudo os que o fizeram com o dinheiro dos contribuintes. Os que lhe deram o CCB como arrecadação privada. Os que o cortejaram, privilegiaram, promoveram e distinguiram. E os que o ajudaram, num longo, sinuoso e degradante processo de calotice transformado em forma de vida.

Miguel Sousa Tavares

Expresso, 18 de Maio de 2019

 

Coisas mais importantes

O futebol é apenas o futebol. Há coisas mais importantes na nossa sociedade e no nosso país pelas quais temos de lutar. Se vocês se unirem, se tiverem a força e a exigência que têm no futebol, na nossa economia, na nossa saúde, na nossa educação, vamos ser um país melhor.

Bruno Lage

Jornal i, 20 de Maio de 2019

 

Sistema financeiro

As contas são do Banco de Portugal: entre 2007 e 2018, o Estado injetou 23,8 mil milhões de euros de ajudas no sistema financeiro. (…) A CGD foi o banco que mais ajudas recebeu neste período: foram 6.250 milhões de euros. (A Caixa entrega dividendos ao Estado). O BPN custou 5 mil milhões. O BES/Novo Banco foi alvo de empréstimos no total de 4.330 milhões. O Banif recebeu 3,355 milhões, o BCP 3 mil milhões (devolvidos na íntegra com juros), o BPI 1.500 milhões (devolvidos na íntegra com juros).

Hugo Neutel

TSF, 28 de Maio de 2019

 

SNS

É indispensável e imperioso mudar a Lei e clarificar sem ambiguidades a separação entre o Serviço Nacional de Saúde e o setor privado. Sendo óbvio que o setor público pode sempre contratar serviços privados, ele não pode assumir-se como seu refém nem como seu concorrente num mercado que não existe. As políticas públicas têm enquadramento constitucional, estão sujeitas ao voto e são da responsabilidade do Estado e dos seus governantes. Os interesses e negócios privados são da responsabilidade dos seus acionistas. É por estas escolhas que se avalia a integridade dos políticos que gerem o País.

João Durão Carvalho

Público, 28 de Maio de 2019

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